Pesquisa do CNR revela adolescentes presos entre redes sociais, IA e isolamento crescente

Estudo do CNR-Irpps mostra hiperconexão, uso disfuncional de IA e aumento do isolamento entre adolescentes romanos.

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Pesquisa do CNR revela adolescentes presos entre redes sociais, IA e isolamento crescente

Uma nova análise do projeto Mutamenti interazionali e benessere (MiB), conduzida pelo grupo MUSA do CNR-Irpps, traça um retrato preocupante dos adolescentes romanos: aumento da hiperconexão, expansão de comportamentos de dependência digital e persistente isolamento social. O estudo, realizado com uma amostra de cerca de 3.000 jovens, oferece dados quantitativos que ajudam a entender como as camadas tecnológicas estão redesenhando o tecido relacional das próximas gerações.

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Entre os achados principais, o relatório indica que 26,8% dos adolescentes de 15 anos ultrapassam a barreira da hiperconexão, dedicando mais de quatro horas diárias às redes sociais — um fenômeno mais pronunciado entre as meninas. Ao mesmo tempo, 55% do conjunto amostral reporta sentir incômodo quando suas sessões online são interrompidas, fenômeno conhecido como phubbing.

Na interface com as novas tecnologias, a inteligência artificial já está presente no cotidiano escolar: 73,1% dos estudantes declaram utilizá-la sobretudo para fins acadêmicos. Contudo, 16,2% revelam um uso disfuncional, marcado por forte apego emocional e elementos de dependência. Sobre esse ponto, o pesquisador Antonio Tintori, responsável pelo grupo MUSA, observa: "O mundo virtual e agora a IA estão silenciosamente nos projetando em uma nova dimensão comunicativa que, por ora, está produzindo mais desagios do que benefícios".

O levantamento também documenta indicadores de sofrimento psicológico: o distress — que reúne sintomas de ansiedade e depressão — atinge 20,7% dos jovens, com impacto mais severo entre as alunas. A baixa autoestima aparece em 37,3% dos entrevistados; 26,2% registram níveis elevados de agressividade e 16,9% apresentam sinais de alessitimia (dificuldade em identificar emoções).

Do ponto de vista das relações sociais, o relatório aponta que aproximadamente metade dos adolescentes restringe as saídas ao mínimo necessário, limitando a sociabilidade às atividades escolares, e que 6,6% experimentam condições comparáveis ao retiro social prolongado. Ao mesmo tempo, há um crescimento de estereótipos contra migrantes e uma expansão de atitudes omotransfóbicas. Problemas clássicos das escolas, como bullying e cyberbullying, mantêm-se centrais, enquanto o consumo de álcool e episódios de binge drinking entre os mais jovens aumentam.

Como analista, interpreto esses resultados como a manifestação de uma arquitetura social em tensão: o fluxo de dados e a inteligência incorporada nas plataformas estão transformando os laços cotidianos, muitas vezes erodindo as redes de suporte emocional — os "alicerces digitais" que deveriam complementar, não suplantar, as interações físicas. Para políticas públicas e intervenções educacionais, o desafio é atuar nas camadas de prevenção e monitoramento, reforçando competências digitais críticas e circuitos de apoio psicológico.

Em síntese, o estudo do CNR-Irpps não apenas descreve sintomas: ele mapeia pontos de inflexão na socialização juvenil que exigem resposta integrada — da escola, das famílias e das instituições — para restabelecer equilíbrio entre conectividade e bem-estar.

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