Presidente do Comitê Olímpico Polonês, Radosław Piesiewicz, é detido na investigação sobre a ZondaCrypto

Presidente do Comitê Olímpico Polonês é detido na investigação sobre a ZondaCrypto; apurações envolvem valores em bitcoin e possível benefício patrimonial.

Presidente do Comitê Olímpico Polonês, Radosław Piesiewicz, é detido na investigação sobre a ZondaCrypto

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Presidente do Comitê Olímpico Polonês, Radosław Piesiewicz, é detido na investigação sobre a ZondaCrypto

Por Marco Severini — Em um movimento que altera peças sensíveis no tabuleiro institucional da Polônia, Radosław Piesiewicz, presidente do Comitê Olímpico Polonês (PKOl), foi detido nesta quinta-feira no âmbito da investigação sobre a plataforma de criptomoedas ZondaCrypto. O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e procurador-geral, Waldemar Żurek, por meio da rede X.

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Segundo a nota oficial, as ações relacionadas ao ato de detenção estão sendo conduzidas pela seção da Silésia da Procuradoria Nacional. A área responsável informa que fornecerá mais detalhes ao término das diligências que exigem a participação do detido. Até o momento, a procuradoria não divulgou pormenores sobre as medidas processuais aplicadas a Piesiewicz.

O caso chamou atenção pública após uma investigação jornalística conjunta divulgada na segunda-feira por Wirtualna Polska e TVN24. Ela relata que Przemysław Kral, então principal executivo da ZondaCrypto, teria presenteado Piesiewicz com um relógio avaliado em aproximadamente 40 mil euros, entre outros itens. As reportagens apontam que tais presentes estariam ligados a um suposto "intervenção" do presidente do PKOl frente ao órgão de proteção da concorrência e do consumidor em favor da plataforma.

Piesiewicz negou as acusações, afirmando que o relógio foi pago com recursos próprios e que Kral apenas o teria auxiliado no processo de compra. Enquanto isso, a Procuradoria confirmou que o material probatório apreendido está sendo analisado, com foco na verificação de possível concessão de vantagem patrimonial ao presidente do Comitê.

O histórico da ZondaCrypto tornou-se problemático desde abril, quando plataformas de notícias financeiras relataram uma queda abrupta — chegando a 99% — nas reservas em bitcoin da empresa e sinalizaram dificuldades de clientes para retirar fundos. A plataforma detém um wallet estimado em cerca de 4.500 bitcoins, com valor superior a US$ 300 milhões. Em declarações públicas, Kral afirmou que as chaves de acesso a esse cofre digital estariam com Sylwester Suszek, fundador da BitBay, antecedente da ZondaCrypto; Suszek desapareceu em março de 2022, aos 33 anos.

Em 17 de abril, a Procuradoria Regional de Katowice abriu inquérito sobre as operações da ZondaCrypto, investigando suspeitas de fraude em grande escala e de branqueamento de capitais. Desde então, a corte teria recebido milhares de denúncias de clientes lesados. No dia 3 de agosto, o inquérito sobre a ZondaCrypto foi unido ao procedimento que a seção da Silésia da Procuradoria Nacional conduz acerca do desaparecimento de Suszek. Atualmente, ambos os processos seguem em curso, com diligências que tocam tanto a esfera financeira quanto a investigação criminal sobre o desaparecimento.

Como patrocinadora principal do PKOl desde 22 de outubro de 2025, com contrato anunciado em Munique para vigorar entre 2026 e 2028, a ZondaCrypto ocupou posição central na arquitetura de patrocínios esportivos polonesa. A detenção de Piesiewicz, figura de proa dessa ponte entre esporte e capital privado, representa um movimento decisivo no tabuleiro das instituições: testa os alicerces da governança esportiva e redesenha fronteiras invisíveis entre poder econômico e representação pública.

As autoridades mantêm sigilo operacional enquanto a investigação avança. Do ponto de vista estratégico, a conjunção de alegações de benefícios pessoais, reservas de bitcoin substanciais e o desaparecimento de uma figura-chave compõe uma tectônica de poder que exigirá clareza probatória e paciência institucional para restabelecer a confiança pública.

As apurações seguem em andamento; novas informações devem ser comunicadas pela Procuradoria após o término das diligências em curso.

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