Indústria do esporte na UE fatura €8 bilhões em 2023; Itália lidera com €2,1 bi
Setor do esporte na UE faturou €8 bi em 2023; Itália lidera com €2,1 bi. Emprego jovem cresce, mas persistem desigualdades de gênero.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Indústria do esporte na UE fatura €8 bilhões em 2023; Itália lidera com €2,1 bi
Bruxelas — Os últimos dados da Eurostat, divulgados por ocasião da Semana Europeia do Desporto, desenham um mapa econômico e social que merece leitura estratégica. Em 2023, as empresas europeias produtoras de artigos desportivos somaram 5.370 unidades, com um faturamento total de 8 bilhões de euros. Entre estas, a Itália ocupa a posição de liderança no bloco, com um volume de negócios de 2,1 bilhões de euros e 448 produtores identificados.
Do ponto de vista do mercado de trabalho, o setor do esporte emprega 1,8 milhão de pessoas na União Europeia, o que corresponde a cerca de 0,9% do emprego total. Observa-se, entre 2024 e 2025, um crescimento dos postos de trabalho no setor da ordem de 8,1% — aproximadamente 150 mil empregos a mais. Este agregado inclui tanto quem trabalha diretamente em atividades desportivas quanto profissionais que atuam em ocupações desportivas fora do núcleo industrial.
Contudo, os alicerces do emprego esportivo conservam fragilidades estruturais. Persistem desigualdades de gênero: em 2025 os homens constituíam 56,3% dos ocupados no setor, contra 43,7% de mulheres. Na Itália o desequilíbrio é ainda mais pronunciado, com cerca de 58% de homens. No extremo oposto do espectro, a Estónia registra 53,8% de mulheres no emprego desportivo, enquanto a Bélgica chega a 69,9% de homens.
Uma das características demográficas mais relevantes é a juventude do setor. Em toda a UE, 36,2% dos ocupados têm entre 15 e 29 anos — mais do que o dobro da participação jovem no emprego total (17,1%). Países como a Finlândia destacam-se com 53,4% de jovens no emprego desportivo; em sete Estados-Membros essa taxa ultrapassa 40%, enquanto a Lituânia registra o ponto mais baixo, com 14,4%.
Na formação superior, o panorama também revela um desenho assimétrico: cerca de 269 mil estudantes frequentam cursos de educação superior em áreas relacionadas ao esporte, com uma proporção de gênero marcada — para cada cinco homens há apenas duas mulheres.
Como analista, inscrevo estes números numa cartografia de influência: a indústria do esporte não é apenas um mercado de consumo e emprego — é um tabuleiro onde se jogam soft power, cadeias de fornecimento e políticas industriais. A liderança italiana em faturamento representa um movimento decisivo, mas também evidencia a fragilidade potencial caso ocorram choques externos nas cadeias produtivas ou mudanças regulatórias no mercado europeu.
O desafio para os formuladores de política pública é construir políticas que reforcem os alicerces da diplomacia econômica do setor — promover equidade de gênero, sustentar a integração dos jovens no emprego de qualidade e preservar a resiliência das cadeias de valor. Sem isso, o crescimento de curto prazo pode esconder fissuras que se ampliam numa próxima jogada do tabuleiro internacional.

