Indústria europeia em xeque: empresários de Itália, Alemanha e França exigem resposta contra a deindustrialização
Empresários de Itália, Alemanha e França pedem ação urgente para conter a deindustrialização e reforçar a soberania industrial da UE.
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Indústria europeia em xeque: empresários de Itália, Alemanha e França exigem resposta contra a deindustrialização
Bruxelas — Em Berlim, no dia 5 de novembro, um alerta estratégico foi apresentado ao coração institucional europeu: uma base industrial sólida é condição de soberania e está sob tensão. Confindustria, o alemão BDI e o francês MEDEF — em coordenação com a BusinessEurope — publicaram no Trilateral Business Forum o documento “Como salvar a indústria europeia”, exigindo uma virada para conter a deindustrialização que corrói os alicerces económicos e geopolíticos do continente.
O diagnóstico é incisivo e com tom de xadrez: movem-se forças externas e desequilíbrios internos que redesenham as linhas de poder. Entre as causas apontadas estão as tensões geopolíticas, a sovraccapacità global (especialmente em setores-chave), o custo energético, dependências estratégicas e finanças públicas pressionadas. Na linguagem dos estrategistas, trata-se de um desgaste progressivo das peças industriais que sustentam a autonomia política.
No capítulo comercial, as empresas defendem uma política externa e comercial mais assertiva. É preciso concentrar incentivos nos setores onde a Europa ainda detém liderança tecnológica e reforçar os instrumentos de defesa comercial, para além do aço, contra práticas comerciais desleais e capacidades excedentárias. Com a China, a exigência é de reciprocidade substancial: cláusulas sobre investimento que privilegiem quota mínima de trabalhadores da UE, maior conteúdo europeu na cadeia de valor e garantias de preservação de dados.
Sobre investimentos, o documento apresenta uma conta severa: faltam até 1,2 trilhão de euros por ano para competitividade, descarbonização e resiliência — um ritmo de financiamento muito aquém do necessário. Por isso, apelam a que o próximo Quadro Financeiro Plurianual preserve e fortaleça a despesa para competitividade, assegurando verbas estáveis ao Fundo Europeu para a Competitividade, ao Horizon Europe e à Política de Coesão, com mecanismos de acesso rápidos e critérios baseados no mérito.
Os signatários sublinham que maior capacidade de investimento da UE não deve traduzir-se em novos encargos fiscais para as empresas. Exigem disciplina orçamental nacional e planos médios-cronológicos críveis, priorizando gasto estratégico — um pedido por estabilidade fiscal que funcione como fundação de longo prazo.
Na arena tecnológica, a soberania digital requer recursos adequados, regras proporcionadas e infraestruturas habilitadoras. A aposta deve recair sobre pontos fortes europeus, nomeadamente computação quântica e a chamada IA física, áreas em que o continente pode manter vantagem competitiva.
Energia aparece como fator determinante para decisões de investimento: empresas pedem preços estáveis e alinhados aos parceiros internacionais, neutralidade tecnológica, tributação elétrica reduzida e compensações pelos custos indiretos do ETS, além de descontos nas tarifas de rede para consumidores intensivos em energia. Reivindicam ainda investimentos urgentes nas redes nacionais e transfronteiriças, com maior uso de instrumentos como o Connecting Europe Facility.
O documento acolhe positivamente as conclusões do Conselho Europeu de outubro sobre custos energéticos e a extensão do quadro METSAF para ajudas em contextos específicos, mas insiste que a revisão do ETS deve garantir custos sustentáveis e decisões ancoradas em maturidade tecnológica e viabilidade económica, não condicionadas a imposições que afastem investimento.
Em termos práticos, o apelo trilateral é claro: sem uma estratégia coesa e financiada, a Europa arrisca perder não só fábricas, mas posições estratégicas no tabuleiro global. É um movimento decisivo que exige coordenação política, disciplina orçamental e investimentos orientados — para restaurar os alicerces frágeis da diplomacia industrial e redesenhar, com prudência e ambição, a tectônica de poder económico do continente.

