Competitividade: Itália empata com a Alemanha e ocupa o 4º lugar entre as maiores economias da UE

I‑Com: Itália empata com Alemanha e fica 4ª entre as maiores economias da UE; telecomunicações, espaço e automotive destacam‑se, burocracia e P&D travam avanços.

Competitividade: Itália empata com a Alemanha e ocupa o 4º lugar entre as maiores economias da UE

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Competitividade: Itália empata com a Alemanha e ocupa o 4º lugar entre as maiores economias da UE

Por Marco Severini – Em um movimento que redesenha, ainda que discretamente, os contornos do poder econômico europeu, a Itália alcança o quarto lugar no novo ranking de competitividade elaborado pelo Istituto per la Competitività (I‑Com). O relatório, apresentado em 4 de novembro em Roma, no Palazzo Wedekind, comparou as doze economias mais populosas da União Europeia e coloca o país em empate técnico com a Alemanha, atrás apenas de Suécia, Espanha e França.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

O estudo nasceu das atividades do Intergruppo parlamentare per la Competitività, foro transversal criado em 2025, com o I‑Com na função de parceiro técnico‑científico. A análise cruza oito setores estratégicos — telecomunicações e infraestrutura digital, inteligência artificial, energia, espaço, defesa, tecnologias limpas para eletrificação, automotive e ciências da vida — avaliados por um conjunto de oito indicadores (seis comuns e dois específicos) que alimentam o novo Índice de Competitividade I‑Com.

Nos resultados por setor, a Itália sobressai nas telecomunicações, ocupando a segunda posição ex aequo com os Países Baixos, atrás apenas da Polônia. O país divide o terceiro lugar com relação ao setor espacial e ao automotive. Ocupa ainda a 5ª posição em ciências da vida e a 6ª em IA. Energia e tecnologias limpas aparecem em 7º, enquanto a defesa fecha o ranking doméstico em 8º.

Os pilares que sustentam esse desempenho são claros: um capital humano que posiciona a Itália na metade superior da tabela em todos os setores analisados e uma produtividade ajustada pelo custo do trabalho. Este último indicador, porém, carrega uma ambiguidade estratégica: reflete eficiência produtiva, mas também níveis salariais relativamente contidos que mascaram riscos sociais e de atração de talentos de alta qualificação.

Entre as fragilidades, o relatório destaca a complexidade burocrática — fator que empurra o país para um 8º lugar no indicador agregado de obstáculos —, a insuficiente capacidade de pesquisa e desenvolvimento e dependências externas expressivas, com as importações de bens de telecomunicações superando as exportações por mais de três vezes e meia.

Stefano da Empoli, presidente do I‑Com, qualifica a situação como uma «base competitiva sólida», mas adverte que o afastamento em relação aos líderes integra uma dinâmica europeia mais ampla já assinalada no Rapporto Draghi. Em outras palavras, a tectônica de poder econômico dentro da UE exige respostas coordenadas: a competitividade deve ser tratada em níveis nacional e comunitário.

O relatório também projeta implicações institucionais: o futuro Fundo Europeu para a Competitividade, previsto a partir de 2028, tenderá a premiar Estados mais abertos à inovação. Quatro prioridades estratégicas são apontadas como movimentos decisivos no tabuleiro para consolidar avanços: simplificação dos procedimentos autorizativos, fortalecimento da pesquisa e do capital de risco, estabilidade plurianual da programação pública e a preservação das fases de maior valor agregado das cadeias produtivas estratégicas.

Por fim, em tom de cartografia renovada, o diagnóstico do I‑Com sugere que a Itália dispõe de peças valiosas no tabuleiro — talento, setores de excelência e um ecossistema industrial reconhecível — mas precisa reposicionar suas defesas institucionais e suas jogadas de longo prazo para converter potencial em liderança sustentável.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘