Moldova acelera rumo à adesão e força a Comissão Europeia a recalibrar recursos
Moldova acelera reformas e força a Comissão Europeia a realocar recursos para monitorar a trajetória de adesão à UE.
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Moldova acelera rumo à adesão e força a Comissão Europeia a recalibrar recursos
Por Marco Severini, analista de geopolítica e estratégia internacional.
Em um movimento que revela tanto a ambição de um pequeno Estado como as tensões no alicerce burocrático da União, a Moldova vem avançando em ritmo acelerado nas reformas exigidas para a adesão à União Europeia. O impulso de Chișinău ultrapassou a capacidade imediata de monitoramento do departamento responsável na Comissão Europeia, forçando uma realocação interna de recursos para acompanhar o progresso.
Segundo oficiais da UE ouvidos pelo Euronews, o governo moldavo aprovou as medidas solicitadas com uma velocidade que obrigou a Comissão a passar de um papel de orientação para um de reação tática. A comissária para o Alargamento, Marta Kos, registou no X ter mantido “uma boa conversa” com o novo primeiro-ministro Vasile Tofan sobre os próximos passos no percurso de adesão.
O departamento de alargamento, já exigido pela simultaneidade dos avanços de vários candidatos, tem redistribuído competências para concentrar-se onde os resultados são mais palpáveis. Desde a eleição de Maia Sandu à presidência, em 2020, a Moldova acelerou uma agenda de reformas pró-europeia sustentada por uma maioria parlamentar clara.
“As reformas que iniciámos nos últimos cinco anos são verdadeiramente sem precedentes”, afirmou a vice‑primeira‑ministra para a Integração Europeia, Cristina Gherasimov, em comentários a jornalistas durante uma reunião ministerial. Para Gherasimov, a combinação de vontade política e a determinação popular moldavam uma janela de oportunidade que Chișinău procura aproveitar integralmente.
Do lado da Comissão, a necessidade é diferente: certificar‑se de que as medidas são implementadas de forma duradoura e conforme os critérios comunitários. Isso implica ajustar capacidades técnicas e metodológicas ao ritmo concreto de cada candidato — uma tarefa que, em termos práticos, exige recursos humanos especializados, missões de verificação e relatórios contínuos.
Paralelamente, a Ucrânia também prossegue uma profunda agenda de reformas, renovada após a entrada do primeiro‑ministro Serhii Koretskyi em julho. Contudo, o esforço de Kiev continua condicionado pelo esforço de guerra e por tensões fiscais que pesam sobre a sua trajectória de adesão.
Na terça‑feira, o Fundo Monetário Internacional publicou um relatório analisando os potenciais benefícios económicos da integração europeia para os Países dos Balcãs Ocidentais e para a Moldova, excluindo a Ucrânia devido às suas dimensões e ao conflito em curso.
Do ponto de vista político no Conselho da UE, o caminho de Kiev e Chișinău permanece frequentemente acoplado. Essa prática informal de coupling facilita fases como a ratificação, permitindo que Estados‑membros aprovem tratados de adesão de forma conjunta — como ocorreu com a Roménia e a Bulgária em 2007. Ucrânia e Moldova iniciaram os seus percursos em 2022, poucos dias depois que a Rússia lançou a invasão da Ucrânia, um evento que redesenhou linhas de influência na cartografia europeia.
Em termos estratégicos, a situação representa um desafio de gestão do «tabuleiro»: a Comissão deve reforçar os seus recursos sem comprometer a coerência normativa, enquanto os Estados‑membros ponderam riscos e oportunidades políticos. A rapidez de Chișinău é uma jogada decisiva — prova de uma determinação nacional — que exige da UE uma resposta à altura, tanto na técnica quanto na diplomacia, para consolidar ganhos e evitar alicerces frágeis na arquitetura da ampliação.

