Montenegro avança: fecha mais dois capítulos e aproxima-se da adesão à UE até 2026
Montenegro conclui provisoriamente dois capítulos e aproxima-se da adesão à UE; negociações podem terminar até 2026 se reformas prosseguirem.
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Montenegro avança: fecha mais dois capítulos e aproxima-se da adesão à UE até 2026
Podgorica dá mais um movimento decidido no tabuleiro europeu. Durante a terceira Conferência Intergovernamental realizada em 6 de novembro sob a presidência irlandesa do Conselho da União Europeia, o Montenegro encerrou provisoriamente outros dois capítulos de negociação: o Capítulo 1, relativo à livre circulação de mercadorias, e o Capítulo 12, dedicado à segurança alimentar e às políticas veterinárias e fitossanitárias.
Com essas duas novas conclusões, o país dos Bálcãs totaliza agora 23 capítulos provisoriamente concluídos de um total de 33 abertos no processo de aproximação com a União Europeia. Trata-se de um avanço contínuo que sucede às conclusões anunciadas em 12 de outubro — quando foram encerrados os capítulos 17 (política económica e monetária), 18 (estatísticas) e 19 (política social e emprego).
Significado estratégico do progresso
Em termos de Realpolitik, este progresso não é apenas técnico: representa um redesenho silencioso dos eixos de influência na região adriática. O ministro de Estado irlandês para os Assuntos Europeus, Thomas Byrne, saudou os avanços, sublinhando que o alargamento constitui “uma necessidade geopolítica para a UE” e que a presidência irlandesa trata essa agenda como prioridade.
O ímpeto ganhou ainda mais sustentação com o relatório de alargamento publicado esta semana pela Comissão Europeia, que afirma que as negociações com o Montenegro poderão, de forma realista, ser concluídas até ao final de 2026, desde que Podgorica mantenha o ritmo e implemente as reformas exigidas.
Implicações práticas e riscos
Na linguagem da diplomacia e da estratégia, estamos perante um movimento de avanço que consolida alicerces, mas não elimina obstáculos. A conclusão provisória de capítulos como o da circulação de mercadorias e o da segurança alimentar é vital para a integração económica e regulatória, reduzindo atritos comerciais e alinhando normas técnicas e sanitárias. Ainda assim, persistem requisitos institucionais e judiciais que exigem reformas profundas e sustentabilidade política interna.
Se o calendário apontado pela Comissão se confirmar, o final de 2026 pode marcar a conclusão formal das negociações. Contudo, como em qualquer partida complexa de xadrez diplomático, a vitória depende da sequência de movimentos internos — reformas legislativas, combate à corrupção e fortalecimento do Estado de direito — que devem ser executadas com precisão e persistência.
Perspectiva regional
A aceleração do processo montenegrino tem efeitos em cadeia: reforça a credibilidade do projeto europeu nos Balcãs Ocidentais e exerce pressão sobre vizinhos que seguem trajetórias de adesão. Ao mesmo tempo, oferece à UE uma válvula estratégica de estabilização num contexto geopolítico mais amplo, onde a coesão e a expansão regulatória funcionam como instrumentos de influência pacífica.
Em suma, o progresso de 6 de novembro é um movimento relevante no tabuleiro da integração europeia — um passo que aproxima Podgorica de uma meta plausível até 2026, mas que exige, ainda, uma sequência de jogadas diligentes para transformar avanços técnicos em integração política e segurança duradoura.

