Kubilius alerta: UE não pode depender de foguetes estrangeiros ou perderá o futuro do seu acesso ao espaço

Kubilius alerta que a UE não pode depender de foguetes estrangeiros: demanda de lançamentos cresce e autonomia espacial está em jogo.

Kubilius alerta: UE não pode depender de foguetes estrangeiros ou perderá o futuro do seu acesso ao espaço

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Kubilius alerta: UE não pode depender de foguetes estrangeiros ou perderá o futuro do seu acesso ao espaço

Bruxelas – Em discurso firme na segunda conferência europeia sobre acesso ao espaço, realizada em Paris, o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, traçou um quadro estratégico no qual a União Europeia corre o risco de ver erodidos os alicerces da sua autonomia se continuar dependente de lançadores externos. O lituano deixou claro: sem foguetes próprios não há acesso ao espaço, e sem acesso ao espaço não há futuro.

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Kubilius expôs números que claramente redesenham a cartografia da demanda orbital: nos próximos dez anos são esperados cerca de 50 mil satélites lançados globalmente para fins de defesa, economia e grandes constelações. Do ponto de vista europeu, estima-se um aumento exponencial de satélites até 2035 em comparação com 2016-2024: os satélites de defesa nacional saltariam de aproximadamente 20 para quase 300; os satélites governamentais de quase 70 para cerca de 630; e os comerciais, hoje por volta de 1.000 unidades, deverão praticamente dobrar.

Esse crescimento implica que a demanda de lançamentos na Europa aumentará quase seis vezes. Segundo Kubilius, a UE necessitará de 62 lançamentos até 2034 vinculados aos programas Galileo e Copernicus – respetivamente o sistema global de navegação e o programa comunitário de observação terrestre. Acrescentou a exigência de 14 lançamentos por ano de Ariane já em 2031 e 8 lançamentos anuais do veículo Vega em 2030, reforçando a urgência de capacidade de lançamento robusta.

Surpreende, para quem observa o tabuleiro geoestratégico, que a União esteja atualmente no quarto lugar em número de decolagens, atrás dos Estados Unidos, da China e até da Rússia. Do ponto de vista de investimento público, o relatório da Agência Espacial Europeia sobre a economia do espaço posiciona os EUA com 60% dos gastos globais, a China com 15% e a Europa com apenas 11%. O quadro é semelhante para o capital privado, o que coloca a Europa, como conjunto, apenas no terceiro posto nessa classificação internacional.

O diagnóstico do comissário foi cristalino: o principal obstáculo europeu é a fragmentação interna dos Estados-membros. A solução que propõe é política e financeira — um movimento coordenado que ele comparou a um lance calculado em um jogo de alto nível: investimento massivo coordenado e instrumentos de mitigação de risco. Nesse sentido, Kubilius saudou o incremento de investimentos nacionais e anunciou iniciativas comunitárias, entre elas o lançamento do fundo Cassini 2.0 e a busca por mecanismos de financiamento de risco em colaboração com o Banco Europeu de Investimento.

A mensagem final foi tanto um aviso como uma bússola estratégica: a UE deve construir capacidade de lançamento soberana para preservar autonomia de defesa, independência económica e a sua posição no tabuleiro global. Em termos diplomáticos e de política industrial, trata-se de transformar fragilidades atuais em alicerces de uma tectônica de poder europeia mais resiliente.

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