UE pagou €213 bilhões à Rússia por energia desde 2022, admite Comissária
UE pagou €213 bilhões à Rússia entre 2022-2025 por combustíveis fósseis; pagamentos caíram para €17 bi em 2025. Meta: zero até set/2027.
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UE pagou €213 bilhões à Rússia por energia desde 2022, admite Comissária
Bruxelas – No xadrez delicado da geopolítica energética, emergem números que explicam porque os alicerces da diplomacia europeia permanecem frágeis. Em resposta a uma interpelação parlamentar dos liberais europeus (Renew Europe), a comissária para o Alargamento, Marta Kos, confirmou que entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025 a União Europeia pagou 213 bilhões de euros por combustíveis fósseis provenientes da Rússia. Essa cifra traduz, em termos financeiros, a persistente dependência que pairava sobre o tabuleiro energético quando a guerra na Ucrânia iniciou-se.
Os números ganham textura estratégica: a média anual desse fluxo foi de aproximadamente 42,6 bilhões de euros por ano. Contudo, sublinha Kos, esses pagamentos não são um atestado de imobilismo político, mas o reflexo de contratos preexistentes e de uma transição que avança com ritmo desigual entre Estados-membros.
Segundo a comissária, tanto o número quanto o valor dos pagamentos direcionados a empresas como Gazprom e Lukoil diminuíram de forma significativa ao longo do período em análise. Em linha com os esforços comunitários de diversificação de fornecimentos e com as sanções progressivas, os pagamentos caíram para 17 bilhões de euros em 2025 — equivalente a cerca de 5% das importações totais de combustíveis fósseis da UE — uma redução próxima de 90% face aos 144 bilhões de euros desembolsados em 2022.
Esses dados demonstram uma clara tendência descendente, mas também sublinham uma realidade política e técnica: as importações não foram ainda zeradas. A Comissão estabeleceu como meta eliminar completamente os pagamentos por energia russa até setembro de 2027. Esse objetivo constitui um movimento decisivo no tabuleiro, cujo êxito dependerá da coordenação entre política externa, infraestrutura energética e solidariedade interna.
Fontes institucionais lembram que a Comissão continua a monitorar a situação em colaboração com os Estados-membros e as agências competentes, avaliando riscos de segurança, a resiliência das redes e as consequências económicas para as economias mais expostas. No mesmo sentido, o Comité Económico e Social Europeu, num parecer adotado em outubro de 2026, salientou as implicações económicas e sociais da reconfiguração dos fluxos energéticos e a necessidade de medidas de mitigação coordenadas.
Do ponto de vista estratégico, a narrativa apresentada por Kos revela tanto progresso quanto limites: a UE conseguiu reduzir significativamente a sua dependência — um redesenho discreto das fronteiras de influência energética — mas permanece um intervalo até ao objetivo final. Para a diplomacia europeia, essa fase é semelhante a uma partida em que se consolidam posições, evitando movimentos arriscados que possam desestabilizar aliados internos ou os mercados. A execução do plano até 2027 exigirá não apenas sanções e retórica, mas infraestrutura, contratos alternativos e políticas industriais que garantam transição segura e equitativa.
Marco Severini, Espresso Italia — análise estratégica sobre a tectônica de poder e o futuro da segurança energética europeia.

