Instruir a IA com o contexto certo: Giacopelli (EY Studio+) destaca modelos que transformam valor ao consumidor
Giacopelli (EY Studio+) defende instruir a IA com contexto certo, romper silos e medir valor por eficiência, crescimento e aprendizado.
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Instruir a IA com o contexto certo: Giacopelli (EY Studio+) destaca modelos que transformam valor ao consumidor
Por Stella Ferrari — Em discurso firme e analítico no Intersections 2026, o maior evento italiano sobre marketing, comunicação, criatividade e tecnologia realizado no Allianz MiCo, em Milão, Giacomo Giacopelli, Managing Partner da EY Studio+ Italy, traçou uma visão prática e estratégica sobre como integrar a inteligência artificial nas organizações.
Giacopelli abriu sua fala com uma premissa que deve nortear qualquer conselho de administração: uma empresa de alto desempenho não pergunta apenas o que a IA pode fazer pelo brand; ela é responsável por instruir a tecnologia com o seu conhecimento do consumidor, seus processos e a cultura de marca. Em suas palavras, a tecnologia só opera com excelência quando recebe o contexto certo — um princípio que funcionaria como a calibragem fina de um motor complexo.
Do seu posicionamento emergem três pilares operacionais. Primeiro, a constituição de modelos operacionais que rompam os silos organizacionais, permitindo maior velocidade e fluidez no go-to-market. Segundo, foco na entrega de valor ao consumidor — não apenas eficiência interna — convertendo capacidades em experiências e benefícios concretos para o mercado. Terceiro, a avaliação ampliada do impacto da IA, que extrapola métricas de produtividade individual.
Giacopelli propõe lentes claras para medir o valor estratégico da inteligência artificial. A primeira é a eficiência: a capacidade de operar o negócio com mais produtividade e menor desperdício de recursos. A segunda é o crescimento: não entendido apenas como incremento de receita, mas como a habilidade de conceber ofertas e modelos de negócio novos, gerando valor de formas inéditas. A terceira lente é o aprendizado: tratar a organização como um organismo vivo que transfere conhecimento para a IA, fazendo com que a tecnologia evolua em sinergia com as pessoas — um ativo estratégico duradouro.
Como economista e estrategista de negócios, reforço que essa agenda exige uma engenharia de políticas internas: governança que defina padrões de dado, processos que permitam iteração rápida e métricas que capturem valor além do EBITDA. Em termos automotivos, é a diferença entre instalar um turbo e redesenhar o sistema de injeção para obter performance estável e previsível.
Giacopelli também alertou para o risco de uma visão estreita, centrada apenas na eficiência operacional. Quando a IA é integrada com objetivo de aprendizado e expansão de oferta, ela passa a funcionar como alavanca de crescimento e como reservatório de conhecimento competitivo. Essa abordagem exige investimento em competências, processos e cultura — elementos que transformam tecnologia em vantagem sustentável.
Em suma, a mensagem é clara para líderes que buscam acelerar a transformação: dê contexto à inteligência artificial, projete modelos operacionais que quebrem silos e multipliquem valor, e mensure resultados pelas lentes da eficiência, do crescimento e do aprendizado. Só assim a tecnologia deixa de ser um instrumento pontual e se torna componente do motor da economia da empresa.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de desenvolvimento na Espresso Italia.

