Como a alimentação protege o sistema imunológico no inverno: dicas práticas da especialista
Dicas da especialista para fortalecer o sistema imunológico no inverno com dieta mediterrânea, vitamina D, proteínas, hidratação e gengibre.
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Como a alimentação protege o sistema imunológico no inverno: dicas práticas da especialista
Por Alessandro Vittorio Romano — Quando o dia encurta e o ar parece puxar para dentro um silêncio mais frio, nosso corpo pede cuidado como uma terra que prepara a colheita. A endocrinologista e especialista em nutrição humana Silvia Migliaccio, presidente da Sociedade Italiana de Ciências da Alimentação (Sisa), lembra que, para enfrentar os males da estação, a mesa é uma das primeiras defesas: uma alimentação consciente ajuda a fortalecer o sistema imunológico e a atravessar o inverno com mais vitalidade.
“O abaixar das temperaturas, os dias mais curtos e o acúmulo de stress cotidiano pressionam nosso organismo — explica Migliaccio. É o período em que aumentam as infecções virais das vias respiratórias, com sintomas como resfriado, febre, dor de garganta e tosse. Para atravessá-lo, é essencial adotar um estilo de vida saudável e atenção ao que comemos.”
As recomendações partem do terreno sólido da dieta mediterrânea, que funciona como uma paisagem nutritiva: frutas, verduras, leguminosas, cereais preferencialmente integrais e azeite extra-virgem compõem a base de uma alimentação variada e equilibrada. Em termos práticos, Migliaccio aconselha consumir cinco porções diárias de frutas e verduras, dando preferência a alimentos ricos em vitamina C, como kiwi, laranjas e outros cítricos, além de couves e brócolis, que trazendo a cor e o vigor da estação para o prato.
As proteínas não podem ser negligenciadas: alternar carnes brancas, peixes, ovos, leguminosas e laticínios garante os blocos de construção do organismo. Para a importante vitamina D, Migliaccio destaca alimentos como salmão, cavala, atum e gema de ovo — aqueles que guardam em si um pouco da luz do mar e do sol, mesmo nas semanas mais cinzentas.
Cuide também do intestino: iogurte, leguminosas, frutas, verduras e cereais integrais preservam o equilíbrio do microbiota, a “terra fértil” que participa da modulação do sistema imunológico. Quando a gripe realmente chega, a orientação é clara: simplicidade e hidratação.
Nos dias mais agudos, privilégios calor e leveza — caldos, sopas leves, arroz, carnes brancas, peixes, verduras cozidas e frutas da estação ajudam a manter as forças. Água, chás e infusões repõem os líquidos perdidos e confortam como um cobertor quente. Na convalescença, massas e arroz temperados com azeite extra-virgem e acompanhados de alimentos proteicos ajudam a recompor as energias perdidas.
Um aliado que vale lembrar é o gengibre, citado por Migliaccio por suas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas: um fio de gengibre em uma infusão ou em caldos pode ser um gesto ritual de retomada do bem-estar.
Nos primeiros três dias da gripe, quando os sintomas são mais incômodos, prefira alimentos leves e de fácil digestão: carnes brancas e peixes cozidos a vapor ou em frigideira antiaderente; verduras cruas ou pouco cozidas, com mínima água, para preservar vitaminas e minerais; e sempre um fio de azeite extra-virgem no preparo. Hidratação constante, repouso e um retorno gradual às texturas e sabores mais intensos são a receita para uma recuperação serena.
Viver o inverno como um ciclo, em que os cuidados alimentares funcionam como a respiração da cidade, ajuda não apenas a enfrentar os episódios agudos, mas a cultivar uma resistência cotidiana. Seguir estas orientações da especialista é plantar pequenas raízes de bem-estar que nutrem o corpo e a mente ao longo da estação.

