Cinco transplantes de fígado em 36 horas nas Molinette de Turim: equipe realiza sequência inédita

Cinco transplantes de fígado em 36 horas nas Molinette de Turim; equipe usou técnica split e salvou um menino de 22 meses. Saiba mais.

Cinco transplantes de fígado em 36 horas nas Molinette de Turim: equipe realiza sequência inédita

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Cinco transplantes de fígado em 36 horas nas Molinette de Turim: equipe realiza sequência inédita

Por Alessandro Vittorio Romano – Em uma operação que lembra a respiração intensa de uma cidade que não para, o Centro de Transplantes das Molinette de Turim realizou cinco transplantes de fígado em apenas 36 horas, entre sexta-feira, 30 de outubro, e sábado, 31 de outubro. A equipe liderada pelo professor Renato Romagnoli trabalhou sem interrupção, das 8h de sexta até as 20h do sábado seguinte, demonstrando coordenação e resistência cirúrgica equivalentes à colheita apressada de uma safra rara.

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A sequência de procedimentos combinou técnicas tradicionais com procedimentos que lembram a arte de dividir um fruto generoso: a técnica split permitiu fracionar o fígado de um doador adulto em duas partes, ampliando o impacto de uma única doação. No total, quatro fígados foram transplantados em cinco pacientes — dois deles beneficiados pela divisão do órgão do doador.

Entre os receptores está uma criança torinesa de 22 meses, acometida por um tumor maligno raro do fígado. O pequeno, que já havia recebido ciclos de quimioterapia no Hospital Regina Margherita, recebeu a porção menor do fígado split. A cena é comovente: a esperança de um órgão que, como uma semente, traz a promessa de um novo crescimento.

O primeiro procedimento da série envolveu uma mulher liguriana de 44 anos, portadora de poliquistose hepato-renal, que aguardava há mais de três anos por um transplante combinado de fígado e rim. O transplante hepático foi realizado inicialmente; o transplante renal foi efetuado no dia seguinte graças a um sistema de perfusão capaz de conservar o rim, mantendo-o viável como quem protege uma muda delicada até o plantio.

Todos os pacientes encontram-se internados na área semintensiva cirúrgica do Centro de Transplantes e apresentam condições em progressivo melhoramento, segundo a equipe. Trata-se de um resultado que nasce da conjugação entre técnica, logística e doação — fatores que, juntos, desenham a paisagem da recuperação.

Além do componente técnico, o episódio ressalta a importância da doação de órgãos e da capacidade de organização das equipes hospitalares. Quando a cidade inspira ritmo, o corpo responde: cada transplante é uma pequena primavera que se instala na vida de quem recebeu o órgão.

O feito das Molinette reafirma o papel dos centros de referência como guardiões de práticas inovadoras — desde a logística de conservação de órgãos até a proficiência em técnicas como o split. Para familiares e pacientes, é a promessa de mais tempo e de dias menos abruptos; para a comunidade médica, um lembrete de que, mesmo nas marés mais agitadas, é possível sincronizar mãos e corações em prol da vida.

Em tempos em que a saúde pública e o bem-estar se entrelaçam com o viver cotidiano, histórias como essa nos convidam a olhar para as raízes do cuidado: práticas bem alinhadas, doação generosa e equipes que trabalham como quem conduz uma orquestra, onde cada gesto é decisivo para o desfecho.

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