Teste de DNA identifica predisposição genética desde o nascimento em 10% das pacientes com tumores ginecológicos
Teste de DNA em >500 genes revela predisposição genética desde o nascimento em 10% das pacientes com tumores ginecológicos.
RESUMO ✦
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Teste de DNA identifica predisposição genética desde o nascimento em 10% das pacientes com tumores ginecológicos
Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma descoberta que deve ser lida com o cuidado de quem observa a paisagem antes da chuva, um teste de DNA que traça o perfil genético de mais de 500 genes revelou que cerca de uma em cada dez pacientes com tumores ginecológicos carrega, desde o nascimento, alterações genéticas que podem predispor ao câncer. Essas mutações germinativas não estão restritas às células tumorais: elas aparecem também no DNA das células saudáveis, como raízes invisíveis sob o solo fértil do organismo.
O levantamento faz parte do programa FPG500, em atividade no Policlinico Universitario Agostino Gemelli Irccs desde 2022. Idealizado por Giovanni Scambia, o estudo foi conduzido por Simona Duranti, Arianna Panfili e Camilla Nero, sob a coordenação de Maurizio Genuardi, professor de Genética Médica da Universidade Católica e diretor da UOC de Genética Médica do Gemelli.
Ao analisar o perfil de centenas de pacientes, a equipe observou que aproximadamente 10% apresentam uma condição de predisposição genética a um ou mais tumores já presente ao nascer. Em linguagem direta: para essas pacientes, a semente do risco já fazia parte da sua herança biológica. Mais notável ainda, cerca de um terço dessas predisposições provavelmente passaria despercebido pelos percursos diagnósticos tradicionais, que muitas vezes são como trilhas conhecidas entre árvores: seguras, mas nem sempre completas.
Do ponto de vista prático, a identificação dessas alterações tem implicações familiares e clínicas. Porque se a mutação está presente no DNA das células saudáveis, ela pode estar também em parentes aparentados, exigindo um olhar ampliado — um convite à vigilância compartilhada entre gerações, como uma colheita coletiva de cuidados.
Na minha observação sensível do cotidiano, esta constatação biológica lembra os ciclos das estações: às vezes, sinais pequenos e persistentes anunciam uma mudança maior. Saber que existe uma predisposição é, ao mesmo tempo, um alerta e uma oportunidade: um mapa que permite planejar monitoramento, prevenção e intervenções mais personalizadas, preservando a qualidade de vida como quem protege um vinhedo do vento precoce.
Ainda que a ciência não ofereça respostas simples para todos os casos, programas como o FPG500 ampliam a visão clínica, integrando genética e atenção centrada na pessoa. A mensagem para pacientes e familiares é clara e humana: conhecer o próprio DNA pode ser um gesto de cuidado que ecoa por toda a família, um ato de prevenção que nasce da compreensão profunda das nossas raízes biológicas.
Fonte: ANSA — 05/11/2026. Pesquisa conduzida no Gemelli, Roma.

