Bonaccini alerta: cortes na PAC no Orçamento da UE 2028-2034 são inaceitáveis

Bonaccini pede que cortes à PAC no orçamento UE 2028-2034 sejam rejeitados e defende uso dos PSR para mitigar custos agrícolas.

Bonaccini alerta: cortes na PAC no Orçamento da UE 2028-2034 são inaceitáveis

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Bonaccini alerta: cortes na PAC no Orçamento da UE 2028-2034 são inaceitáveis

Stefano Bonaccini, eurodeputado e presidente do Partido Democrático italiano (PD), lançou um apelo firme em Rimini, durante a feira Ecomondo, onde ocorre o encontro internacional sobre economia verde e circular. Em declaração que assume tom de diagnóstico estratégico, Bonaccini exigiu que o próximo Orçamento da UE 2028-2034 preserve integralmente a Política Agrícola Comum (PAC), rejeitando qualquer proposta de cortes.

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Na prosa de quem observa o tabuleiro geopolítico com a precisão de um enxadrista, Bonaccini relacionou a defesa da agricultura europeia a um alicerce da estabilidade social e territorial. “Os cortes propostos à PAC no quadro plurianual são inaceitáveis”, afirmou, sublinhando que a proteção ao setor agroalimentar não é apenas uma questão de mercado, mas de coesão e segurança alimentar europeia.

Eunews perguntou-lhe também sobre o efeito nas relações transatlânticas após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Bonaccini respondeu com uma avaliação geopolítica que alia realismo e uma expectativa prudente: “É desejável um novo capítulo nas relações EUA-União Europeia. Nos últimos anos, vimos um presidente que empregou políticas para desarticular o pacto atlântico. Espero que a nova configuração do Congresso forneça conselhos mais moderados e contenha atitudes que abriram uma verdadeira guerra comercial contra a Europa com a imposição de tarifas injustificadas.”

O eurodeputado recordou que guerras comerciais “nunca beneficiaram ninguém” e salientou que, no seu entendimento, a combinação de medidas erráticas — desde tarifas a decisões externas de política internacional, como a escalada contra Teerã — teve repercussões económicas negativas até mesmo para os eleitores norte-americanos, nomeadamente através do aumento dos preços de energia e combustíveis.

Passando ao domínio prático das políticas agrícolas, Bonaccini descreveu iniciativas em curso para mitigar custos, em particular o impacto do aumento do preço dos combustíveis sobre os produtores. Referiu conversas com o Comissário responsável, Comissário Hansen, sobre a possibilidade de mobilizar fundos dos PSR (Planos de Desenvolvimento Rural) para apoiar os custos com energia e combustíveis nas explorações agrícolas. “Há instrumentos europeus que podem e devem ser calibrados para proteger o setor em momentos de pressão externa”, declarou.

Na ótica de quem pensa em arquitetura estratégica e tectônica de poder, Bonaccini advertiu para o risco de “redesenhar fronteiras invisíveis” na política europeia caso se aceite esvaziar a PAC. Para ele, decisões orçamentais têm efeitos em cascata sobre sustentabilidade, soberania alimentar e coesão regional — elementos que compõem os pilares da segurança interna da União.

Com o tom de um conselheiro de Estado que conjuga prudência e firmeza, Bonaccini apelou a que Bruxelas e os parlamentos nacionais tratem o debate orçamental com a gravidade de quem move peças decisivas num tabuleiro onde estão em jogo o futuro rural e a resiliência europeia. A mensagem é clara: não se negocia o alimento das populações nem a base do tecido socioeconómico das áreas rurais.

O recado deixado em Rimini é tanto político quanto estratégico. Num momento em que a geopolítica global se realinha e a UE negocia prioridades orçamentais para 2028-2034, a defesa da PAC surge como uma prioridade não negociável para preservar a estabilidade interna e a autonomia estratégica do bloco.

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