Costa a Zelensky: “Conte conosco” enquanto UE avança no alargamento e nas reformas
Costa garante a Zelensky apoio da UE; bloco avança negociações e exige reformas enquanto se prepara institucionalmente para o alargamento.
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Costa a Zelensky: “Conte conosco” enquanto UE avança no alargamento e nas reformas
Bruxelas, 16 de outubro de 2026 — Em um gesto de unidade simbólica e estratégia calculada, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, compareceram juntos diante da imprensa no arranque da segunda jornada do encontro dos Chefes de Estado e de Governo.
Na breve declaração pública, Zelensky expressou gratidão pelo apoio europeu: “Sou profundamente grato pelo imenso apoio que recebemos do Conselho Europeu, da Comissão e dos líderes europeus. Verdadeiros líderes que estiveram ao nosso lado desde o início desta guerra. É um apoio crucial e contamos com ele”. Em resposta direta, Costa sublinhou a posição da União: “A mensagem para o presidente Zelensky é muito simples: o apoio da União Europeia à Ucrânia permanece mais forte do que nunca. Caro Volodymyr, podes contar connosco, não apenas durante o conflito, mas sobretudo para o futuro dentro da União”. Von der Leyen acrescentou, com concisão institucional: “Estamos ao vosso lado, vamos apoiar-vos”.
Em seguida, o foco deslocou-se para a perspectiva de adesão de Kiev ao bloco. Esta semana, a Ucrânia deu mais um passo pragmático no seu roteiro: foram abertas as negociações relativas aos clusters do mercado interno e da competitividade e crescimento inclusivo. Trata-se de capítulos centrais para aferir compatibilidades regulatórias e estruturas económicas.
Os Vinte e Sete consolidaram a visão do alargamento como um “investimento geoestratégico para a paz, segurança, estabilidade e prosperidade do continente”. Nas conclusões do primeiro dia do Conselho (15 de outubro), os líderes reafirmaram a centralidade do processo de adesão, mas recordaram que a preparação exige trabalho em duas frentes: por um lado, os países candidatos devem prosseguir com as reformas, em particular no domínio do Estado de direito; por outro, a União Europeia tem de adaptar políticas, instituições e funcionamento para receber novos membros sem comprometer a eficácia coletiva.
O princípio que orienta o processo permanece o do mérito: cada candidato progride nos capítulos de negociação com base em avanços concretos e individuais. Paralelamente, Bruxelas enfrenta a tarefa de calibrar a sua capacidade de absorção institucional e orçamental — um desafio tratado de forma proativa no pacote de pré-alargamento apresentado pela comissária para o Alargamento, Marta Kos, em 6 de outubro. O pacote propõe medidas para preparar instituições, políticas e o orçamento da UE a uma possível nova composição.
Nas conclusões do encontro, os líderes pediram ao Conselho que examine a comunicação da Comissão intitulada "Prepararsi a un'Unione più ampia" e que continue a trabalho sobre reformas internas e prioridades de longo prazo. Entre os dossiês em análise figura ainda o Montenegro, apontado como o país “na última milha” rumo à entrada.
Do ponto de vista estratégico, este é um movimento decisivo sobre o tabuleiro europeu: o alargamento não é apenas um ato jurídico, mas um redesenho de linhas de influência e um reforço dos alicerces da diplomacia continental. A aposta é dupla — consolidar a resiliência democrática nos países candidatos e fortalecer a capacidade da União de manter coerência e eficácia. Em termos de Realpolitik, trata-se de investir na estabilidade futura sem perder de vista a necessidade imediata de reformas internas e de capacidade institucional.

