UE mantém agenda de simplificação para 2027 e retira 18 propostas, incluindo EDIS
Comissão Europeia mantém plano de simplificação em 2027 e retira 18 propostas, incluindo EDIS e dossiês fiscais com anos de impasse.
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UE mantém agenda de simplificação para 2027 e retira 18 propostas, incluindo EDIS
Bruxelas — A Comissão Europeia reafirmou hoje a sua estratégia de redução do enquadramento normativo e o recurso a pacotes omnibus, projetando para 2027 um novo ciclo de revisão legislativa com foco nos setores bancário, dos transportes, da habitação e das políticas digitais. O movimento, anunciado com ênfase institucional, busca reforçar a competitividade da União por meio da simplificação normativa, que passa a ser apresentado como um dos vetores centrais da ação executiva.
No centro da proposta política está também a intenção de criar um pacto contra a chamada sobra-regulamentação (gold-plating), com medidas para aumentar a transparência sobre requisitos nacionais adicionais e monitorar o seu impacto. Prevê-se a introdução de um mecanismo de "revisão e eliminação" no âmbito do Semestre Europeu, destinado a ajudar os Estados‑membros a identificar sobreposições normativa e a corrigir distorções no respeito aos Tratados.
Contudo, mais do que as promessas do que virá, o elemento que mais chama a atenção é a lista de atos legislativos que a Comissão decidiu retirar da sua agenda: um total de 18 propostas entre regulamentos, diretivas e comunicações que foram simplesmente abandonadas por não haver perspetiva razoável de acordo entre os colegisladores.
Entre os textos descartados sobressai a proposta para um esquema europeu de garantia de depósitos (EDIS), peça-chave do projecto de união bancária que permanece há demasiado tempo em suspenso. A nota oficial justifica a decisão lembrando que "o dossiê está em exame pelos colegisladores há mais de 10 anos" e anuncia que será substituído por propostas dedicadas à competitividade do setor bancário, previstas para o primeiro trimestre de 2027.
Também foi retirada a proposta de diretiva sobre regras tributárias relativas à presença digital significativa das empresas. Segundo a Comissão, o dossiê encontra‑se bloqueado no Conselho há mais de oito anos — a última discussão remonta a 2019 — e, sendo matéria de fiscalidade que exige unanimidade, é "improvável que consiga apoio num prazo razoável".
Em plena crise energética, com debate público sobre tributação dos lucros extraordinários das empresas do setor, a Comissão suprimiu igualmente a proposta de diretiva destinada a reestruturar o quadro da União para a tributação da energia e dos produtos energéticos. O argumento é idêntico: o tema está pendente no Conselho há mais de cinco anos e dificilmente obterá consenso suficiente.
O conjunto de decisões traça um mapa de prioridades e limitações políticas: por um lado, a vontade de desburocratizar e ajustar a arquitetura normativa europeia; por outro, a constatação pragmática de que questões fiscais e reformas profundas do setor financeiro continuam a ser avulsas num tabuleiro em que a unanimidade e interesses nacionais “movem peças” com lentidão. Em termos estratégicos, trata‑se de um redesenho cuidadoso dos recursos políticos — retirar peças perdidas para concentrar forças nos arquivos onde há maior hipótese de avanço.
Como analista, observo que este conjunto de escolhas revela uma dupla tática: fortalecer os alicerces da competitividade por vias sectoriais e processuais, enquanto se evita investir capital político em dossiês que podiam enfraquecer a credibilidade da Comissão por acordos inalcançáveis. No tabuleiro europeu, é uma jogada de contenção e concentração de recursos — realpolitik em ação, com olhos postos na estabilidade institucional e na eficácia legislativa.

