COPA rejeita condicionalidade social na PAC sem normas laborais comuns para todos

COPA rejeita condicionalidade social na PAC sem regras laborais comuns; defende pena contra caporalato, mas alerta contra sanções duplicadas.

COPA rejeita condicionalidade social na PAC sem normas laborais comuns para todos

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COPA rejeita condicionalidade social na PAC sem normas laborais comuns para todos

Bruxelas — Em pronunciamento claro e calculado, o Comitê das Organizações Profissionais Agrícolas da UE (COPA), através do seu presidente Massimiliano Giansanti, reafirmou a oposição a qualquer aplicação integral da condicionalidade social da Política Agrícola Comum (PAC) enquanto não existir uma normativa quadro sobre trabalho válida para todos os Estados‑membros.

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Na linguagem seca da diplomacia e com a precisão de um lance de xadrez que antecipa repercussões no tabuleiro, Giansanti disse: “Diciamo fermamente no al caporalato e allo sfruttamento: se uma impresa è colta a sfruttare non deve avere accesso a risorse pubbliche”. O posicionamento deixa clara a linha vermelha do COPA — o combate ao trabalho escravo e às formas extremas de exploração é inegociável.

No entanto, o que distingue a análise do COPA é a preocupação com a proporcionalidade das medidas quando se trata de infrações menores ou erros administrativos. Segundo Giansanti, a arquitetura normativa vigente na Europa — 27 regimes laborais heterogêneos — cria “alicerces frágeis” que podem provocar distorções de concorrência entre Estados‑membros. Nessa tessitura, a imposição simultânea de sanções previstas na legislação laboral e a consequente redução dos pagamentos da PAC configuraria uma duplicação das sanções e, portanto, “una conseguenza sproporzionata”.

O COPA defende, com quase unanimidade entre seus membros, que a aplicação da condicionalidade social não deve avançar até a adoção de um quadro normativo laboral harmonizado capaz de garantir regras e penalidades uniformes. É uma exigência de equalização de regras que visa preservar a estabilidade competitiva no mercado único agrícola europeu, evitando que diferenças regulatórias funcionem como uma vantagem indevida no tabuleiro económico.

Trata‑se de uma leitura estratégica: proteger recursos públicos e penalizar severamente práticas criminosas no setor agrícola, sem, contudo, converter infrações administrativas em sentenças económicas desproporcionais. Em termos práticos, o COPA propõe um princípio de gradação sancionatória que vincule cortes de fundos apenas a casos comprovados de exploração, enquanto promove‑se primeiro um esforço político e legislativo para criar normas laborais homogêneas.

Esta posição será um ponto de referência nas negociações em curso sobre a revisão das regras da PAC e sobre as iniciativas comunitárias que procuram integrar critérios sociais nas condições de acesso aos auxílios. O chamado de Giansanti é, em última análise, um apelo à arquitetura normativa europeia: sem fundamentos sólidos e comuns, qualquer movimento sancionatório amplo pode redesenhar fronteiras invisíveis de competitividade entre Estados‑membros — com efeitos duradouros sobre a estabilidade do setor.

Marco Severini, para Espresso Italia — análise diplomática e estratégica sobre as decisões que moldam a tectônica de poder agrícola europeia.

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