Romênia interrompe segundo reator de Cernavodă por nível crítico do Danúbio — risco à segurança energética
Romênia paralisa segundo reator de Cernavodă por níveis críticos do Danúbio; risco à segurança energética e medidas emergenciais diante da seca histórica.
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Romênia interrompe segundo reator de Cernavodă por nível crítico do Danúbio — risco à segurança energética
Em um movimento que desenha um novo capítulo na tectônica de poder energético do continente, a Romênia anunciou a paralisação do segundo reator da usina nuclear de Cernavodă. A decisão, incomum e estrita aos imperativos de segurança, foi tomada após a observação de níveis historicamente baixos do Danúbio, responsável pelo resfriamento dos reatores.
A estatal Nuclearelectrica já havia desligado um dos dois blocos no mês passado; na quinta-feira comunicou que o segundo reator também precisa ser parado devido ao “declínio significativo e contínuo do nível da água do Danúbio”. Romeo Urjan, diretor da usina, disse à AFP que “não se prevê uma reativação nos próximos dez dias”.
A central de Cernavodă — que normalmente responde por aproximadamente um quinto da eletricidade do país — havia sofrido paralisação semelhante apenas uma vez antes, em 2003, também por seca. A repetição do fenômeno expõe os alicerces frágeis da segurança energética regional quando rios que sustentam infraestruturas críticas se tornam variáveis estratégicas.
Antecipando a gravidade do quadro, o governo romeno empenhou mais de 2 milhões de euros em operações de emergência para tentar redirecionar o fluxo do Danúbio e preservar a capacidade de resfriamento. Entre as medidas, figura a detonação controlada de uma rocha e o afundamento de quatro chatas carregadas de pedra — um gesto de engenharia improvisada que lembra a necessidade de intervenção rápida quando o tabuleiro não corresponde às previsões.
Fontes alternativas, como a energia eólica e importações, foram acionadas para mitigar o impacto nas redes, mas o ministério de Energia apelou ao “consumo responsável” e sinalizou que grandes consumidores industriais podem enfrentar cortes programados, sobretudo no turno noturno. Já no início de agosto, fábricas automobilísticas como Dacia e Ford anunciaram suspensão de produção até 19 de agosto para auxiliar na redução da pressão sobre o sistema elétrico.
Dados do observatório europeu Copernicus mostram que quase dois terços do Danúbio registraram, para um mês de julho, as vazões mais baixas em 34 anos. Um grupo de cientistas do World Weather Attribution atribui a severidade da seca, em grande parte, às alterações climáticas de origem antropogênica, alertando que episódios assim tendem a se intensificar.
Na Hungria, a usina de Paks — que cobre normalmente cerca de um terço da demanda elétrica do país — também opera parcialmente limitada. Budapeste ordenou a construção de uma parede submersa e considera o afundamento de chatas para elevar localmente o nível do rio nas imediações da central.
O episódio romeno é, ao mesmo tempo, um desafio operacional e um movimento decisivo no tabuleiro estratégico europeu: expõe a vulnerabilidade das infraestruturas nucleares diante de variáveis hidrológicas e força governos a redesenhar políticas de segurança energética, balanços de importação/exportação e planos de emergência para uma geopolítica cada vez mais dependente do clima.

