Rússia retorna ao G20 Finanças em Asheville; UE diz que não é hora de normalizar presença

Rússia volta ao G20 Finanças em Asheville; União Europeia rejeita normalização da presença enquanto a guerra na Ucrânia segue.

Rússia retorna ao G20 Finanças em Asheville; UE diz que não é hora de normalizar presença

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Rússia retorna ao G20 Finanças em Asheville; UE diz que não é hora de normalizar presença

Por Marco Severini

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O retorno da Rússia à mesa do G20 Finanças, realizado em Asheville, na Carolina do Norte, reabriu fissuras diplomáticas entre Estados Unidos e União Europeia. Convidado diretamente pelos anfitriões americanos, o ministro das Finanças Anton Siluanov participou da cúpula de dois dias destinada aos ministros das Finanças e aos governadores dos bancos centrais das maiores economias mundiais. A presença de Moscou desencadeou reações imediatas de Bruxelas, ampliando uma tensão que, em termos estratégicos, se assemelha a um movimento calculado num tabuleiro onde cada peão sinaliza alinhamentos e linhas vermelhas.

O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, foi taxativo: “Não riteniamo affatto che sia il momento di normalizzare la presenza della Russia”, citando os ataques intensificados contra alvos civis na Ucrânia. A porta-voz da Comissão, Paula Pinho, reiterou em briefing que o representante da União Europeia ao G20 Finanças não manteve contato com o ministro russo e não pretende fazê-lo.

Do lado americano, o presidente Donald Trump justificou a iniciativa com um argumento de abertura pragmática: “Ci piace andare d’accordo con tutti”, sustentando que a inclusão contribui para objetivos amplos de diálogo econômico. Paralelamente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizou um encontro bilateral com Siluanov à margem dos trabalhos, gesto que, segundo fontes europeias, foi organizado sem consulta prévia a parceiros do bloco. Esse descompasso responde, em termos de geopolítica, a uma discrepância de percepções sobre quando e como restabelecer canais de comunicação com Moscou.

Em Berlim, o ministro das Finanças Lars Klingbeil qualificou a recepção a Siluanov de “preocupante”, alertando que, enquanto a guerra na Ucrânia não ceder, não se pode operar como se as relações com a Rússia tivessem voltado à normalidade. O impasse atingiu até a simbólica “foto de família” do G20: várias delegações europeias ameaçaram não comparecer caso o representante russo figurasse ao lado dos demais ministros. Ao final, Siluanov não apareceu na imagem coletiva — uma ausência que, em diplomacia, fala tão alto quanto uma presença.

O episódio reforça que a União Europeia mantém distância estratégica de Moscou e que o apoio à Ucrânia continua a constituir uma das linhas vermelhas que guiam sua política externa, ecoando o princípio do “as long as it takes” frequentemente invocado pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Ao mesmo tempo, sob a presidência americana, a agenda de Asheville priorizou temas técnicos e centrais para a estabilidade global: crescimento econômico, desequilíbrios comerciais, dívida soberana, regulação bancária e segurança energética. O secretário Bessent procurou recentralizar o debate na promoção de crescimento e na mitigação de riscos financeiros, mesmo com a tectônica de poder apresentando arestas ainda pouco conciliáveis.

Nos bastidores, este episódio será lembrado como um lance estratégico: o convite e a aceitação — seguidos da reação europeia — redesenham, de maneira sutil, fronteiras de influência e limites da normalização. Em termos práticos, resta claro que, por ora, a normalização plena das relações com Moscou encontra mais objeções do que consensos no eixo transatlântico.

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