Tajani na ONU: Itália exige que as Nações Unidas retomem a capacidade de agir

Tajani na ONU: Itália pede que Nações Unidas retomem a capacidade de decidir e agir frente a crises como Ucrânia, Hormuz e Gaza.

Tajani na ONU: Itália exige que as Nações Unidas retomem a capacidade de agir

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Tajani na ONU: Itália exige que as Nações Unidas retomem a capacidade de agir

Em discurso pronunciado na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, representou a Itália na ausência da presidente do Conselho, Giorgia Meloni, que havia anunciado sua não participação após uma série de cúpulas internacionais. Com a calma calculista de um jogador que lê o tabuleiro antes de mover a peça decisiva, Tajani fez um apelo à restauração do papel efetivo das instituições multilaterais.

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Ao expor a posição de Roma sobre os principais focos de tensão globais, o ministro enfatizou o apoio inabalável da Itália à Ucrânia e pediu a reabertura imediata do Estreito de Hormuz. Sobre a Faixa de Gaza, reiterou que a solução passa, inarredavelmente, pela fórmula dos "dois povos, dois Estados" — um diagnóstico que busca reenquadrar o conflito dentro dos alicerces da diplomacia contemporânea.

Com voz grave e medidas precisas, Tajani também abordou a agenda tecnológica: alertou para os riscos e oportunidades da inteligência artificial e conclamou a Assembleia a estabelecer regras comuns que protejam a estabilidade e a previsibilidade internacional. Para o ministro, a governança dessas tecnologias é parte do novo tabuleiro de xadrez estratégico entre grandes potências.

O cerne de seu discurso foi, entretanto, uma crítica institucional. "As Nações Unidas nasceram para impedir que a violê̂ncia se tornasse a lei suprema. Para manter-se fiel a essa missão, devem reencontrar a capacidade de decidir e, sobretudo, de agir", declarou Tajani, sublinhando a impressão de impotência que a organização transmite diante de crises em curso.

Na frente ucraniana, o ministro italiano defendeu a necessidade de um cessar-fogo como primeiro passo para a segurança europeia, alertando para a ameaça de uma guerra híbrida vinda da Rússia. Manifestou ainda "grave preocupação" com as crescentes ameaças híbridas russas à Europa e reiterou solidariedade à Alemanha pelo ataque ao aeroporto de Leipzig.

Tajani relacionou as fraturas regionais a consequências práticas: o impacto sobre os mercados de trigo e fertilizantes, a elevação do custo de vida e as repercussões para as economias mais vulneráveis. Para mitigar essas dificuldades, lançou a Coalizão de Roma, uma plataforma de cooperação destinada a identificar rotas e corredores alternativos para o comércio de cereais face às atuais interrupções.

O ministro alertou para a interconexão das crises: tensões no Estreito de Hormuz e no Mar Negro elevam o preço da energia e, junto aos bloqueios que impedem exportações ucranianas, agravam inseguranças alimentares em África e além. Por isso, pediu a reabertura imediata do estreito e um relançamento do diálogo no Golfo, incluindo uma exigência direta ao Irã para que retire toda e qualquer mina nas rotas marítimas.

Em tomo de diplomacia firme, Tajani ofereceu ao palco global uma mistura de responsabilidade e estratégia: a convicção de que as instituições multilaterais devem recuperar iniciativa para conter a escalada e preservar a estabilidade. Como quem reposiciona peças num jogo de alta política, Roma chama as Nações Unidas a retomar a função executiva que lhes foi originalmente confiada, porque a arquitetura da paz depende de decisões concretas e da coragem para implementá-las.

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