UE pode impor à Rússia um preço doloroso pela guerra híbrida, diz comissário da Defesa
Comissário de Defesa afirma que a UE pode fazer a Rússia pagar um preço doloroso por ameaças híbridas e propõe protocolo de segurança emergencial.
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UE pode impor à Rússia um preço doloroso pela guerra híbrida, diz comissário da Defesa
Por Marco Severini — Em entrevista exclusiva à Euronews, o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, reafirmou a convicção de Bruxelas: a Europa dispõe de instrumentos e estratégias para fazer a Rússia pagar um preço doloroso pelas suas provocações no campo das ameaças híbridas. A declaração relança uma proposta operacional que visa encadear respostas coordenadas da União Europeia diante de ações abaixo do limiar de uma agressão armada, mas capazes de minar a segurança dos Estados-membros.
O comissário citou, em diálogo com o programa Europe Today, o discurso sobre o estado da União da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, no qual se apresentou uma nova estratégia europeia de segurança e um manual comum para confrontar as ameaças híbridas. Trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: não apenas um conjunto de medidas técnicas, mas um desenho institucional que reforça a capacidade de resposta coletiva e reduz os alicerces frágeis da diplomacia diante de ações encobertas.
Nos últimos meses, o flanco oriental do continente registrou uma série de incidentes — incursões de drones, atos de sabotagem, ataques informáticos, danos a infraestruturas e cabos, e a instrumentalização de fluxos migratórios — incidentes que autoridades europeias têm atribuído à chamada guerra híbrida russa. Essa sequência de eventos levou cinco comissários de países do flanco oriental a solicitarem uma reação mais firme da Comissão em defesa da região.
Na proposta apresentada por von der Leyen, o que se tornou público foi o esboço de um mecanismo complementar ao artigo 4 do Tratado da OTAN: o chamado Protocolo de Segurança de Emergência. Em caso de ativação por um Estado-membro, todos os membros da União seriam convocados para coordenar uma resposta comum — uma manobra coletiva para deter escaladas e mitigar consequências, desenhando o que poderíamos chamar de um redesenho de fronteiras invisíveis, onde a capacidade de coordenação se transforma em linha de defesa.
Segundo Kubilius, a União Europeia é fundada na solidariedade e já trabalha em planos práticos para assistir os países mais atingidos por estas formas de conflito. A meta é clara: coordenar a resposta europeia, dissuadir novas provocações e limitar os danos, em conjunto com a Alta Representante para os Assuntos Exteriores.
Além do Protocolo de Segurança de Emergência, von der Leyen reavivou a ideia de criar um European Security Council, um formato de líderes dedicado à segurança do continente que incluiria, para além dos Estados-membros da UE, parceiros estratégicos como a Ucrânia, o Reino Unido, Noruega e Canadá. Tal organismo formalizaria relações que já existem na prática, oferecendo um fórum para decisões políticas de alto nível, quando a tectônica de poder exigir respostas rápidas e coordenadas.
Como analista, observo que este conjunto de iniciativas tenta transformar respostas ad hoc em microarquiteturas de decisão: estruturas pensadas para garantir que, quando a intimidação atravessa a linha cinzenta da violência, a Europa reaja com unidade, proporcionalidade e eficácia. É um desenho deliberado — um movimento de xadrez estratégico — que visa preservação de estabilidade e dissuasão, sem precipitar escaladas avulsionadas.
Permanece, contudo, o desafio operacional: traduzir a retórica e os discursos em capacidades tangíveis, interoperáveis e prontas para entrar em ação. A credibilidade desta nova arquitetura dependerá da rapidez com que os Estados-membros aceitarem o compromisso solidarista que, no final das contas, determina se a União será apenas uma assembleia de vontades ou um ator geopolítico com instrumentos de pressão real.

