Grassi (SIRM): com IA, é preciso reforçar o senso crítico na radiologia
Grassi (SIRM) alerta que a IA exige mais senso crítico na radiologia; congresso em Milão discute limites, appropriateza e controle humano nos diagnósticos.
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Grassi (SIRM): com IA, é preciso reforçar o senso crítico na radiologia
Por Giulliano Martini — Em declarações publicadas durante o 52° Congresso Nacional da SIRM — Sociedade Italiana de Radiologia Médica e Intervencionista — em Milão, o presidente Roberto Grassi alertou para a necessidade de maior senso crítico na aplicação da inteligência artificial na prática radiológica. O encontro, em andamento até 8 de novembro, teve como eixo central a discussão sobre os impactos e limites das tecnologias de IA na rotina dos serviços de diagnóstico por imagem.
"Este congresso tem como tema principal a inteligência artificial, que invadiu a nossa profissão e que, claramente, cria muitas tensões e ansiedades", afirmou Grassi. Segundo ele, a tecnologia "por um lado acelerou e facilitou a nossa atividade profissional; por outro, há dúvidas sobre o uso destas ferramentas na prática cotidiana".
O presidente do evento explicou o contexto técnico que torna a adoção de sistemas de IA quase obrigatória: "Há 40 ou 50 anos contávamos com poucas imagens por exame; hoje lidamos com milhares. Necessitamos de softwares que analisem, reconstruam e nos apresentem o resultado desse enorme volume de dados". No entanto, alertou, há um passo adiante que exige cautela.
"Muitos desses softwares não apenas processam imagens: começam a identificar lesões, marcá-las e, às vezes, até a sugerir uma interpretação", observou Grassi. "Por isso nossos congressos e cursos são espaços essenciais de confronto: é ali que procuramos definir paradigmas de uso, para além do que a indústria ou experiências individuais podem levar a crer".
O tom das declarações é técnico e de precaução. A posição da SIRM enfatiza o equilíbrio entre eficiência e rigor: aproveitar os ganhos de produtividade trazidos pela IA sem abdicar do juízo clínico e do controle humano sobre decisões diagnósticas.
Na abertura do congresso, o ministro da Saúde, Orazio Schillaci, participou dos debates. Grassi destacou a presença do ministro, lembrando sua formação acadêmica e conhecimento das instituições de ensino e pesquisa: "Tivemos a sorte e a honra de tê-lo conosco; ele conhece bem os nossos problemas".
Conforme salientado por Schillaci, citado no discurso de abertura, três prioridades foram enfatizadas: a correta utilização dos exames, a appropriateza clínica e o contenimento de custos das tecnologias, sem comprometer a qualidade diagnóstica. "São temas de interesse evidente", concluiu Grassi.
O posicionamento exposto no congresso reflete um foco estrito em: 1) validação e regulamentação de algoritmos antes da aplicação clínica ampla; 2) formação contínua dos radiologistas para leitura crítica de resultados assistidos por IA; 3) monitoramento dos impactos econômicos e de qualidade dos serviços. Em suma, a mensagem é direta: a tecnologia avança, mas a responsabilidade de decisão e verificação permanece com o profissional.
Apuração e cruzamento de fontes presentes no evento confirmam que o debate seguirá na agenda da SIRM ao longo do próximo ciclo de cursos e publicações técnicas, com foco em criar normas claras de utilização e garantir que a inovação não substitua o juízo clínico.

