Radiologia interventiva é o 'quarto pilar' no tratamento do câncer, diz especialista da UniMi
Radiologia intervencionista torna-se o quarto pilar no tratamento do câncer, com ablações e eletroporação integradas à cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
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Radiologia interventiva é o 'quarto pilar' no tratamento do câncer, diz especialista da UniMi
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes no 52º Congresso da SIRM, em Milão. Segundo o professor Gianpaolo Carrafiello, diretor do Departamento de Área dos Serviços do Policlinico de Milano e titular de Diagnóstico por Imagem na Universidade de Milão, a radiologia intervencionista consolidou-se como um elemento essencial no combate ao câncer, integrando-se de forma rotineira aos comitês multidisciplinares que definem o plano terapêutico do paciente.
“O radiologista não é mais apenas um diagnosta; ele ultrapassou a fase puramente diagnóstica e passou a atuar também na terapia”, afirmou Carrafiello durante a segunda jornada do congresso. Na avaliação do especialista, a radiologia intervencionista representa hoje o quarto pilar no tratamento oncológico, ao lado da cirurgia, da radioterapia e da quimioterapia.
O especialista detalhou os principais procedimentos disponíveis. Entre eles, as técnicas de ablação percutânea, que podem empregar fontes térmicas — como micro-ondas e radiofrequência — ou frios, como a crioablação. Existem também métodos não térmicos, por exemplo a eletroporação irreversível, que altera as membranas celulares, facilitando a penetração de fármacos nas células tumorais ou promovendo sua destruição direta. Essas estratégias, explicou Carrafiello, podem operar de modo sinérgico com a quimioterapia, modificando o perfil imunológico do paciente e aumentando a expressão de antígenos, o que potencializa a ação farmacológica subsequente.
Na prática clínica, a doença mais estudada e tratada com essas abordagens é o hepatocarcinoma, tumor primário do fígado. No entanto, ressaltou o pesquisador, as metástases hepáticas também têm obtido benefícios substanciais. Estudos recentes indicam que tratamentos ablativos alcançam resultados comparáveis aos da cirurgia, com vantagens claras para o paciente, como menor tempo de internação e melhor tolerabilidade.
No câncer renal, por exemplo, a eficácia clínica dessas técnicas chega a 94–95%. Outro ganho destacado por Carrafiello é o caráter nephron-sparing de alguns procedimentos: em vez de destruir o órgão, atuam de forma focalizada sobre a lesão tumoral, preservando a função residual do rim.
Além das ablações, há terapias endovasculares que permitem administrar quimioterapia de forma localizada a órgãos inteiros, reduzindo os efeitos sistêmicos e elevando a chance de sucesso no foco tratado. Os limites atuais, conforme pontuou o especialista, residem nas dimensões das lesões passíveis de tratamento seguro: as ablações em sessão única têm indicação mais segura em tumores até cerca de 3–3,5 centímetros; acima desse tamanho, a eficácia e a segurança exigem planejamento mais complexo ou múltiplas abordagens.
O diagnóstico e a terapêutica por imagem evoluem em ritmo acelerado, e a incorporação da radiologia intervencionista nos fluxos assistenciais é um movimento consolidado: equipes multidisciplinares, integração de procedimentos minimamente invasivos e crosscheck entre evidências clínicas e técnicas constituem o roteiro atual. A realidade traduzida no congresso confirma que o campo segue ampliando indicações, com impacto direto na qualidade de vida e nos desfechos dos pacientes oncológicos.

