Federer em Londres: “Sinner foi o melhor do ano; Alcaraz é um gênio”
Federer elogia Sinner como melhor do ano e chama Alcaraz de gênio; análises e detalhes da Laver Cup em Londres na O2 Arena.
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Federer em Londres: “Sinner foi o melhor do ano; Alcaraz é um gênio”
Em Londres, dentro da atmosfera carregada da Laver Cup na O2 Arena, Roger Federer traçou um perfil conciso e revelador sobre a temporada do tênis moderno. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o suíço não poupou elogios ao jovem italiano: “Com as vitórias deste ano, Jannik Sinner mostrou que é o mais forte no momento. Agora está lesionado, mas até então jogou muito bem”. A declaração, simples na forma, tem desdobramentos importantes para a leitura do panorama esportivo europeu — e para a própria narrativa que cerca o tênis italiano.
Federer também dedicou palavras de admiração ao espanhol Carlos Alcaraz. “Ver o Alcaraz jogar é simplesmente um prazer — esse rapaz é um gênio em quadra, é incrível pela quantidade de golpes que consegue criar. O problema é que às vezes ele tem até opções demais e pode se perder um pouco entre tantas alternativas”. É uma observação técnica, mas também estética: aponta para a tensão entre criatividade e eficiência, marca registrada das novas gerações que reinventam o jogo com repertórios amplos.
Sobre Alexander Zverev, que venceu duas etapas do Grand Slam nesta temporada, Federer notou uma evolução tática e física: “Estive no Royal Box em Wimbledon e vi-o jogar contra Lehecka. Pensei que estava jogando muito bem. Há tempos lhe dizia que deveria bater a bola mais forte do fundo — e finalmente está fazendo isso. É bonito tê-lo de volta aqui; foi um dos maiores apoiadores da Laver Cup desde o início.” A apreciação de Federer reconhece, além do talento, a disciplina que reorienta carreiras.
Do ponto de vista competitivo, a última jornada da Laver Cup começou com o Team Europe à frente por 7-5 sobre o Team World. São necessários 13 pontos para conquistar a taça: a Europa precisa, portanto, de mais seis, enquanto o Resto do Mundo busca recuperar oito. A formatação do torneio segue seu design híbrido — vitórias no primeiro dia valem um ponto, no segundo dia dois, e na terceira e decisiva cada triunfo vale três pontos —, o que mantém a emoção até o fim e enfatiza a dimensão coletiva do evento.
O histórico das duas primeiras jornadas mostra a oscilação típica de uma exibição de alto nível: a equipe de Yannick Noah encerrou sexta-feira em vantagem (3-1), com vitórias de Casper Ruud, Rafael Jodar e o ponto vindo da parceria Carlos Alcaraz-Jakub Mensik; pelo Team World, Brandon Nakashima conquistou o ponto isolado. No sábado, a equipe de Andre Agassi chegou a ensaiar a virada: Learner Tien superou Flavio Cobolli e Alex de Minaur bateu Alexander Zverev, colocando o Team World em 5-3. A reação europeia veio rápida, com Alcaraz salvando dois match points contra Taylor Fritz e vencendo por 13-11 no super tie-break após mais de duas horas, enquanto Ruud e Zverev fecharam o dia no duelo de duplas contra Bublik e Nakashima.
O terceiro dia abriu com o duelo de duplas Cobolli-Mensik contra de Minaur-Fritz, e seguia, se necessário, com os singles Zverev-Tien, Alcaraz-de Minaur e Jodar-Fritz. A fórmula prevê jogar apenas o necessário até alcançar os 13 pontos; em caso de 12-12 após os doze encontros, um duplo decisivo define o campeão — uma solução esportiva que privilegia o espetáculo coletivo e a dramaturgia do confronto.
Mais do que resultados, as palavras de Federer em Londres funcionam como uma leitura histórica: reconhecem a emergência de uma nova hierarquia — com Sinner como rosto da consistência — e, ao mesmo tempo, a permanência do talento exuberante de Alcaraz, cuja liberdade criativa exige contornos táticos para se transformar em duradoura supremacia. Na arena simbólica da Laver Cup, o tênis mostra-se ao mesmo tempo tradição e reinvenção, com atletas que encarnam tensões sociais e estéticas do esporte contemporâneo.

