EUA: Hegseth reage a ameaça de impeachment e nega saída para assento no Senado do Tennessee
Hegseth responde ao ultimato, nega ida ao Senado e enfrenta risco de impeachment por ações no Irã; Trump o defende e disputa se intensifica no Pentágono.
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EUA: Hegseth reage a ameaça de impeachment e nega saída para assento no Senado do Tennessee
Por Marco Severini — Em um movimento calculado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, respondeu ao ultimato — "demissão ou impeachment" — posicionando-se numa trincheira retórica diante do Pentágono, ironicamente referido por aliados como o renomeado "Departamento da Guerra".
Em vídeo gravado fora do edifício, Hegseth afirmou que as "políticas de destruição pessoal" não funcionaram com o presidente Trump e "não funcionarão comigo". A fala foi simultaneamente acompanhada por publicações do escritório de imprensa do Pentágono com apelos combativos — "Resistam, lutem, defendam a República" — que reforçaram o tom marcial adotado pelo secretário que gosta de se autodenominar "guerreiro".
Fontes citadas pelo Washington Post negaram, no mesmo período, que esteja sendo avaliada a nomeação de Hegseth para o assento do Senado pelo Tennessee, hipótese que alguns meios americanos haviam aventado como uma possível estratégia de saída diante das pressões crescentes de republicanos próximos a Trump. A versão do "assento senatorial" circulou como alternativa para acalmar setores que pedem a cabeça do chefe do Pentágono, responsabilizado, segundo críticos, pelos erros na política em relação ao Irã e, em última instância, pela frustração eleitoral nos últimos midterms.
No vídeo de defesa, Hegseth comemorou o que chamou de "corajoso e histórico esforço" contra o Irã e reiterou o compromisso de que, sob a liderança de Trump, o país continuará a trabalhar para impedir que Teerã adquira a arma nuclear. Em tom estratégico, pediu que o Congresso em fim de mandato aprove uma lei especial de gastos de defesa no valor de $350 bilhões, "independentemente do que as pessoas pensem sobre a guerra" — frase que delineia uma prioridade clara: reforçar o aparato militar como pilar da política externa.
Ao mesmo tempo, Hegseth atacou com desprezo o deputado republicano anti‑Trump, Thomas Massie, acusando‑o de forjar artigos de impeachment com aliados democratas e de conduzir um "teatrinho político". Massie já apresentou oito artigos de impeachment contra o secretário do Pentágono, imputando‑lhe responsabilidade por ações militares no Irã sem autorização do Congresso e pelo blitz que teria levado à captura de Nicolás Maduro, entre outras acusações.
O episódio ganhou nova camada quando o próprio Trump deu uma expressão pública de confiança em Hegseth, elogiando o "fantástico trabalho" do ex‑apresentador de TV que ele desejou no Pentágono, inclusive quando a confirmação no Senado parecia improvável. Trump defendeu as remoções de dezenas de oficiais superiores — justificando‑as com a crítica a militares que considerou "woke".
Fontes internas relatam ainda que o presidente continua a sondar aliados sobre o destino de Hegseth. Um responsável do Pentágono disse ao The Hill que substituir o secretário neste momento seria "não praticável", dada a dificuldade de encontrar um nome que obtenha confirmação junto ao Congresso em fim de legislatura.
Na arquitetura desta crise, a peça mais imediata a observar é o calendário legislativo: existe o risco real de que, já na próxima semana, sejam votados os oito artigos de impeachment apresentados por Massie. É um movimento que transformaria a disputa intrapartidária num teste de resistência institucional, com potenciais repercussões na tectônica de poder entre Casa Branca, Pentágono e Congresso.
Do ponto de vista estratégico, assistimos a um desenho no tabuleiro em que Hegseth aposta na solidez de sua posição dentro do aparato militar e no apoio direto do presidente, enquanto opositores buscam desgastá‑lo através da arena congressual. A jogada nas próximas sessões legislativas dirá se este é um simples confronto retórico — uma abertura de flanco destinada a proteger posições — ou o início do redesenho de fronteiras invisíveis dentro da coalizão republicana.
Em suma, a crise Hegseth expõe os alicerces frágeis da diplomacia entre executivos e militares em tempos de polarização acelerada: uma tensão onde a retórica de guerra e a legitimidade democrática emergem como variáveis determinantes para a estabilidade das políticas externas americanas.

