Global Nurses United chega à Itália: Roma recebe congresso mundial de enfermagem sobre escassez e IA

Global Nurses United chega à Roma para debater a escassez de enfermeiros, migração profissional e o impacto da IA nos cuidados de saúde.

Global Nurses United chega à Itália: Roma recebe congresso mundial de enfermagem sobre escassez e IA

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Global Nurses United chega à Itália: Roma recebe congresso mundial de enfermagem sobre escassez e IA

Por Alessandro Vittorio Romano — A respiração lenta e densa das cidades italianas encontra, em novembro, o ritmo urgente das preocupações globais da saúde. Pela primeira vez na Itália, o Global Nurses United (GNU) reunirá profissionais de enfermagem de todo o mundo em Roma nos dias 10 e 11 de novembro, num encontro que promete discutir questões que tocam o corpo coletivo da assistência: da escassez de enfermeiros à migração de profissionais, passando pelo impacto da inteligência artificial no cuidado cotidiano.

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O cenário que trouxe o congresso até as margens do Tibre é grave. Estima-se que faltem cerca de 6 milhões de enfermeiros no mundo — um défice que a WHO Europa descreveu como uma "bomba relógio". A Itália não está fora dessa tempestade: o país convive diariamente com a ausência aproximada de 65 mil profissionais, um número que pesa nos turnos, nas emergências e na qualidade da presença humana no cuidado.

Organizada pela federação que reúne sindicatos de 35 países, a conferência One Nurse One Health - United nurses caring the world terá como anfitriã a sigla italiana Nursind, única representante nacional no consórcio desde 2020. Entre os temas centrais do encontro estão as projeções da WHO-Europa, que alertam para a possibilidade de faltar cerca de 1 milhão de enfermeiros na Europa até 2030. "São previsões que assustam em todas as latitudes", comenta Andrea Bottega, secretário nacional do Nursind, sublinhando a dimensão transnacional do problema.

O congresso servirá como um mapa para discutir soluções: estratégias de retenção, políticas de formação, regulação das migrações profissionais e modelos de trabalho que valorizem a presença humana. Ao mesmo tempo, a chegada acelerada da IA à saúde abre janelas de oportunidade e desafios éticos — como integrar tecnologias sem diluir a relação de cuidado que é a essência da enfermagem.

Como observador atento dos ritmos que moldam o cotidiano, vejo essa mobilização como a «colheita de hábitos» de um setor que precisa reencontrar suas raízes. A enfermagem é, por natureza, a respiração do sistema de saúde: quando falta um profissional, todo o organismo sente. Em Roma, profissionais de 35 países vão trocar experiências, semear soluções e, espero, regar políticas que permitam um florescer mais sustentável do cuidado.

Para além dos números e das estatísticas, o encontro promete trazer o rosto humano da crise: histórias de trabalho exaustivo, de escolhas migratórias motivadas por condições laborais, e de adaptações ao avanço tecnológico. É um convite a repensar não só as leis, mas a cultura do cuidado — a maneira como uma sociedade respira quando cuida dos seus.

O Global Nurses United em Roma não é apenas um congresso técnico; é uma convocação para que governos, empregadores e comunidades reconheçam a importância vital da enfermagem e atuem para preservar e promover esse patrimônio humano. A cidade, com sua paisagem antiga e seu tempo profundo, será também palco de um diálogo urgente sobre o futuro do cuidado no mundo.

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