Conselho da Europa alerta: avanços limitados e problemas persistentes no sistema prisional italiano
Relatório do Conselho da Europa aponta avanços limitados e problemas crônicos nas prisões italianas: superlotação, violência entre detentos e necessidade de acelerar o Plano Carceri.
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Conselho da Europa alerta: avanços limitados e problemas persistentes no sistema prisional italiano
Bruxelas – Em um balanço que mistura reconhecimento e advertência, o Comitê para a Prevenção da Tortura (CPT) do Conselho da Europa traça um diagnóstico cauteloso sobre as prisões na Itália. Há sinais de iniciativas governamentais — entre elas o Plano Carceri e a nomeação de um comissário extraordinário para as infraestruturas prisionais — mas, segundo o relatório, as melhorias são lentas e insuficientes diante de problemas crônicos que ainda afetam o sistema penitenciário nacional.
Como analista, observo que estamos diante de um movimento que lembra uma jogada de posicionamento no tabuleiro: mudanças inaugurais foram feitas, mas a execução precisa ganhar velocidade para evitar que o tabuleiro se recomponha contra a estabilidade institucional. O CPT reconhece esforços para ampliar oportunidades laborais nos estabelecimentos visitados, inclusive por meio de incentivos fiscais previstos pela Lei Smuraglia. No entanto, a conversão de intenções em práticas concretas é, na avaliação do comitê, ainda limitada. A recomendação é clara: "a gama de atividades oferecidas aos detentos deve ser ampliada" e cada preso deveria dispor de um "programa diário estruturado, composto por atividades personalizadas e supervisionadas por uma equipa multidisciplinar".
O relatório aponta outra peculiaridade estratégica do ambiente prisional italiano: enquanto a "estragrande maioria" dos reclusos declara ter sido tratada corretamente pelo pessoal penitenciário — isto é, os agentes não são em massa acusados de abuso —, persiste no interior das celas um fenômeno preocupante de violência entre detentos e intimidação. As deficiências materiais, como a ausência de campainhas de chamada em muitas celas e a falta de agentes de custódia nas alas, constroem um cenário em que forças internas se tornam fontes de instabilidade.
Ante essa dinâmica, o CPT recomenda a adoção de uma "estratégia global" para prevenir a violência entre reclusos, promovendo um modelo de segurança dinâmica por parte do pessoal penitenciário — mais proximidade, vigilância inteligente e gestão de riscos, e menos mero isolamento estático.
Sobre medidas restritivas, o comitê repete um pedido antigo e diplomático: reduzir o recurso excessivo a regimes severos de isolamento, como a 'sorveglianza particolare' e o isolamento diurno imposto a condenados à prisão perpétua. A mensagem é firme — limitar o uso dessas medidas é imperativo para a conformidade com padrões europeus de direitos humanos.
Por fim, o relatório ressalta um problema estrutural que condiciona todo o resto: o espaço físico. Em visitas recentes, quase um quarto dos detentos encontrava-se em celas com apenas 3 a 4 metros quadrados de espaço vital por pessoa. O CPT exorta as autoridades italianas a assegurar a conformidade com o padrão mínimo do Conselho da Europa quanto ao espaço por detento, lembrando que a arquitetura prisional é, em última análise, um dos alicerces da ordem e da reintegração social.
Em suma, a Itália deu passos iniciais — uma abertura de fileira no tabuleiro — mas precisa transformar estas jogadas em estratégia sustentada e coordenada. Caso contrário, corre o risco de ver o problema reaparecer com mais força, numa tectônica de poder que envolve justiça, direitos humanos e estabilidade institucional.

