Podcast é uma experiência íntima entre ouvinte e conteúdo, diz Vitiello (Obe)
Vitiello (Obe): podcast é experiência íntima; tema e criador determinam escolha, e 68% reclamam de videos que dependem de elementos visuais.
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Podcast é uma experiência íntima entre ouvinte e conteúdo, diz Vitiello (Obe)
Por Stella Ferrari — Em intervenção no Intersections 2026, realizado no Allianz MiCo, em Milão, Anna Vitiello, diretora científica do Osservatorio Branded Entertainment, traçou um diagnóstico preciso sobre a evolução do podcast e seu lugar no ecossistema da comunicação de marca. Segundo Vitiello, o podcast conserva uma característica essencial: é uma experiência profundamente íntima, consumida frequentemente em contexto individual, que cria um vínculo duradouro entre o conteúdo e o ouvinte.
"O podcast tem uma característica: é uma experiência íntima, um conteúdo que se escuta muitas vezes sozinho. Por isso se estabelece um laço e uma relação muito forte entre o conteúdo e o ouvinte", afirmou Vitiello. Para a diretora científica, a seleção do programa ainda obedece primariamente ao tema, que permanece como critério principal na decisão de consumo. Contudo, há uma aceleração de outra tendência: o protagonismo do criador e do speaker na escolha do público.
Vitiello chamou atenção para a distinção entre notoriedade e competência narrativa. "Não é tanto o quanto o narrador seja famoso — um viés que já analisamos em momentos anteriores — mas sua capacidade de contar, de entreter e de entregar valor ao conteúdo", acrescentou. Essa calibragem entre conteúdo e apresentador funciona como um motor de conexão, onde a voz e a técnica de quem comunica são parte do design de experiência.
Outro ponto chave abordado foi o crescimento do video podcast. Ainda que a difusão de formatos em vídeo esteja em expansão, Vitiello frisou que não se trata de dois conteúdos distintos, mas de modos diferentes de fruir o mesmo material. A fruição híbrida revela um dado operacional relevante: muitas vezes, mesmo um video podcast é consumido apenas na sua trilha sonora.
Os números citados no evento são elucidativos: 68% das pessoas se declaram incomodadas quando, ao ouvir um video podcast, a narrativa faz referência a elementos visuais que, em áudio, naturalmente, não são percebidos. Isso expõe uma tensão entre formato e expectativa do ouvinte e aponta para a necessidade de desenho cuidadoso do conteúdo para múltiplas plataformas.
Do ponto de vista estratégico, essa dinâmica implica que marcas e produtores precisam acelerar seu grau de sofisticação: do planejamento editorial ao casting de apresentadores, passando pela engenharia da experiência. Em termos de economia da atenção, o criador atua como um motor de aceleração das tendências, enquanto o formato — áudio ou vídeo — deve ser calibrado para não acionar os freios da frustração do ouvinte.
Conclui-se que o podcast permanece como um veículo de alto valor relacional. A combinação entre tema relevante, habilidade narrativa do apresentador e design multiplataforma define o desempenho do produto no mercado. Para executivos e estrategistas de comunicação, a lição é clara: investir em talento e na qualidade da narrativa é tão crítico quanto a escolha do assunto — uma calibragem fina que determina a tração e a longevidade do projeto.

