Transplantes no Sant'Orsola: após anos de diálise, pacientes voltam a viver com fármaco anti-rejeição inovador

No Sant'Orsola, dois pacientes voltam a viver após anos de diálise graças a fármaco anti-rejeição inovador que viabilizou transplantes de rim.

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Transplantes no Sant'Orsola: após anos de diálise, pacientes voltam a viver com fármaco anti-rejeição inovador

BOLOGNA, 04 de novembro de 2026, 15:50 - Redação ESPRESSO ITALIA

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“Em 13 anos de diálise as portas do transplante de rim pareciam fechadas para mim. Perguntei a parentes, tentei de tudo, mas os meus níveis de anticorpos tornavam a compatibilidade impossível.” É assim que Roberto Mazzotti, de 55 anos e pizzaiolo de Ravenna, descreve o tempo que passou entre turnos de máquina e esperanças adiadas. Hoje, porém, ele relata uma mudança profunda: “Quando me ofereceram este fármaco anti-rejeição inovador pensei por trinta segundos — e aceitei. Agora, mudou totalmente a minha vida”.

Roberto foi um dos dois pacientes que receberam, com sucesso, um transplante de rim no Sant'Orsola de Bolonha graças a um protocolo que inclui um medicamento anti-rejeição ainda pouco usado em larga escala. Essas intervenções marcam um avanço clínico importante para pessoas com altos títulos de anticorpos, que antes tinham chances praticamente nulas de encontrar um doador compatível.

Relatando sua história, Mazzotti recorda que seus problemas renais começaram aos 28 anos. Aos 30 fez o primeiro transplante, que funcionou por alguns anos; em 2012 o órgão deixou de funcionar e ele retornou à diálise. “Viver ligado à máquina trouxe muitas limitações ao trabalho e à vida quotidiana. A incerteza sobre o que podia ou não fazer, por exemplo beber um copo com amigos, era constante”, conta.

O relato de Mazzotti é a voz humana por trás de uma conquista técnica: o uso do novo fármaco permitiu neutralizar ou modular a resposta imunológica que, em pacientes com anticorpos elevados, costuma precipitar a rejeição. No entanto, os profissionais do Sant'Orsola lembram que cada caso é único e que o seguimento clínico é essencial.

Para quem viveu anos de diálise, a sensação é a de um renascer: “Depois da diálise nós vivemos de novo”, resume outro dos pacientes operados, emocionado. É uma expressão que traduz como o corpo reencontra um ritmo mais livre, e como a cidade, com sua respiração lenta e quente, volta a ser palco de escolhas pessoais e pequenos prazeres.

Como observador que vê a saúde como parte do cotidiano, lembro que tratamentos assim não só prolongam anos, mas alimentam dias com qualidade: devolvem ao corpo um tempo interno mais calmo, permitem colher hábitos esquecidos e replantar raízes de bem-estar. A ciência age como uma primavera tardia que oferece a possibilidade de florescer novamente.

O sucesso no Sant'Orsola acende esperanças para muitos pacientes que hoje vivem a espera angustiante por um rim compatível. Ainda há cautela entre os especialistas — acompanhamento prolongado e estudos maiores serão necessários para confirmar eficácia e segurança em populações amplas —, mas o sentir dos que receberam o transplante é uníssono: uma vida com mais liberdade e menos máquinas.

Para Roberto, voltar a trabalhar com menos limitações e aproveitar momentos simples é a prova tangível de que houve, além do gesto médico, uma restauração de rotina e afeto. “Posso viver sem o pensamento constante da dialise”, conclui, com a voz que carrega a leveza de quem reencontrou o compasso do próprio corpo.

(Reportagem assinada por Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia)

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