Troca de ataques entre Rússia e Ucrânia enquanto Zelensky se prepara para encontrar Trump em Nova York

Rússia e Ucrânia trocam ataques com mísseis e drones; Ucrânia ataca refinaria em Samara enquanto Zelensky viaja a NY para encontrar Trump.

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Troca de ataques entre Rússia e Ucrânia enquanto Zelensky se prepara para encontrar Trump em Nova York

Por Marco Severini — Em uma nova escalada do conflito de longa duração, a Rússia lançou ataques noturnos contra ao menos quatro regiões da Ucrânia, utilizando mísseis e drones, que deixaram pelo menos quatro mortos, informaram autoridades ucranianas.

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Na mesma noite, forças ucranianas reivindicaram um ataque de longo alcance contra a refinaria de Kuibyshev, em Samara, a sudeste de Moscou — uma instalação da Rosneft considerada central para o abastecimento de combustíveis na região central da Rússia. Segundo as forças especiais ucranianas, vários drones atingiram alvos no complexo e provocaram um incêndio de grandes proporções; autoridades regionais russas confirmaram uma vítima fatal e quatro feridos.

O contraste entre os fronts é o pano de fundo da missão diplomática do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Nova York, onde participará da Assembleia Geral das Nações Unidas e deve reunir-se com líderes mundiais — entre eles o presidente americano Donald Trump. O encontro é parte de uma tentativa de consolidar apoio para encerrar a invasão russa, que já se arrasta por mais de quatro anos.

O presidente Vladimir Putin não é esperado na assembleia. Enquanto isso, os efeitos da guerra continuam a reverberar internacionalmente: autoridades ocidentais estimam que o conflito já resultou na morte de mais de 500 mil militares russos, e a sequência de ataques a refinarias russas, somada às ofensivas de Moscou contra a rede elétrica ucraniana, contribuiu para escassez de diesel e pressões inflacionárias nos mercados globais — fenômeno destacado por Trump em comentários recentes.

Além disso, a tensão no Golfo Pérsico e a redução das exportações pelo Estreito de Hormuz exacerbaram a volatilidade do mercado energético. O presidente ucraniano pleiteia igualmente garantias para o fluxo de grãos e outros produtos agrícolas pelo Mar Negro, onde ataques russos a embarcações de carga têm comprometido exportações de Kyiv, enfraquecendo sua economia e ameaçando o abastecimento global.

Do lado russo, o Ministério da Defesa declarou ter interceptado 297 drones ucranianos sobre 14 regiões russas e a península da Crimeia durante as operações noturnas. A aeronáutica ucraniana, por sua vez, relatou que o ataque russo incluiu mísseis antinavio, balísticos, de cruzeiro e mais de 200 drones.

As explosões e blocos de ataques causaram também mortos na cidade ucraniana de Dnipro, segundo Oleksandr Hanzha, chefe da administração militar regional de Dnipropetrovsk.

Num nível estratégico, o episódio ilustra um movimento decisivo no tabuleiro de xadrez geopolítico: ações militares de impacto simbólico e material são desenhadas para influenciar mesas de negociação, corredores comerciais e a agenda da diplomacia internacional. Zelensky viaja buscando reforçar alianças e garantir os alicerces — ainda frágeis — da resposta global à agressão russa, enquanto Moscou busca projetar capacidade de dissuasão e continuidade logística.

O encontro entre lideranças na ONU acontecerá num momento em que a tectônica de poder regional continua a redesenhar fronteiras invisíveis do comércio e da segurança. As próximas 48 horas serão decisivas para medir se a crise se mantém em escalada localizada ou se as ações convergem para um redesenho mais amplo dos equilíbrios internacionais.

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